Cientistas têm resposta definitiva do porquê os gatos sempre caem de pé

Pesquisa japonesa revela que diferenças na coluna vertebral ajudam a explicar o famoso 'reflexo de queda' dos gatos

Estudo mostra como a flexibilidade da coluna torácica permite que gatos se reorientem no ar antes de tocar o chão

Estudo mostra como a flexibilidade da coluna torácica permite que gatos se reorientem no ar antes de tocar o chão | Freepik

Quem convive com gatos já percebeu: mesmo quando escorregam ou caem de lugares altos, eles quase sempre conseguem aterrissar de pé. Esse comportamento intrigante desperta curiosidade há décadas e motivou diversos estudos científicos.

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Agora, uma nova pesquisa realizada por cientistas no Japão sugere que a resposta pode estar em uma característica específica da anatomia felina. O segredo, segundo os pesquisadores, pode estar na forma como a coluna vertebral do animal se movimenta durante a queda.

O estudo foi conduzido por uma equipe liderada pelo fisiologista veterinário Yasuo Higurashi, da Universidade de Yamaguchi. Os resultados indicam que diferenças de flexibilidade ao longo da coluna ajudam os gatos a girar o corpo no ar e se preparar para a aterrissagem.

O papel da coluna vertebral

Para entender o fenômeno, os cientistas analisaram a estrutura da coluna de gatos. Eles descobriram que a região torácica, localizada na parte frontal do tronco, apresenta muito mais mobilidade do que a região lombar, situada na parte posterior.

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Segundo os autores do estudo, essa diferença permite que o corpo gire em etapas durante a queda. “A rotação do tronco durante o movimento de endireitamento no ar em gatos ocorre sequencialmente, com a parte anterior do tronco girando primeiro, seguida pela parte posterior”, escreveram os pesquisadores.

Em outras palavras, o gato não gira todo o corpo ao mesmo tempo. Primeiro, a parte da frente se move. Em seguida, a região traseira acompanha o movimento, permitindo que o animal se reposicione no ar antes de tocar o chão.

Diferenças surpreendentes

Para investigar essa hipótese, a equipe analisou cinco colunas vertebrais de gatos doados para pesquisa. Os cientistas dividiram cada coluna em duas partes, separando as vértebras torácicas das lombares para medir sua capacidade de torção.

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Os testes mostraram diferenças marcantes. A amplitude de movimento da coluna torácica era cerca de três vezes maior que a da coluna lombar. Além disso, a rigidez da região torácica era aproximadamente um terço menor, o que facilita a rotação do corpo.

Os pesquisadores também observaram que a coluna torácica possuía uma chamada “zona neutra” de cerca de 47 graus de movimento. Já a coluna lombar não apresentava essa mesma característica, indicando uma estrutura mais rígida e estável.

Queda controlada e movimentos em sequência

Para verificar se essas diferenças apareciam durante a queda real, os cientistas também observaram dois gatos vivos. Em um ambiente controlado, os animais foram deixados cair de uma altura de cerca de um metro sobre uma almofada macia enquanto eram filmados por uma câmera de alta velocidade.

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As imagens revelaram um detalhe curioso. Em vez de girar em um único movimento contínuo, os gatos realizavam a rotação em duas etapas claras. Primeiro, a metade dianteira do corpo se movia. Depois, a parte traseira completava o giro.

A diferença de tempo entre os dois movimentos foi pequena, mas perceptível: cerca de 94 milissegundos em um gato e 72 milissegundos no outro. Esse intervalo rápido já é suficiente para que o animal reorganize o corpo antes de aterrissar.

Dais do que um truque de equilíbrio

Os pesquisadores acreditam que essa característica da coluna vertebral pode ajudar em outros movimentos felinos. A capacidade de mover partes do corpo de forma independente pode facilitar corridas rápidas, mudanças bruscas de direção e saltos precisos.

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Além disso, a flexibilidade variável da coluna pode explicar parte da agilidade impressionante desses animais, conhecida por quem já viu um gato correr, escalar ou mudar de direção em segundos.

No entanto, os cientistas afirmam que o estudo ainda não encerra o mistério. “Estudos adicionais sobre as propriedades materiais da coluna vertebral podem ajudar a esclarecer como as diferenças na flexibilidade do tronco afetam o desempenho locomotor em mamíferos”, concluíram os pesquisadores.