A favela de Paraisópolis é conhecida por ser a segunda maior favela do estado de São Paulo e quinta do Brasil. Celebrou em 2021 o seu centenário, marcando 100 anos de uma história que reflete os desafios e as conquistas de sua comunidade.
Em 2015 se tornou ainda mais conhecida com a estreia da novela da Globo “I love Paraisópolis”. O roteiro foi muito bem avaliado e caiu no gosto do público como uma das melhores novelas do ano.
A Gazeta preparou esta matéria especialmente para falar da história e curiosidades da favela que existe há mais de 100 anos na Capital. Confira:
Origem e crescimento
A história de Paraisópolis começa em 16 de setembro de 1921, quando a área, parte da Fazenda do Morumbi, foi dividida em 2,2 mil lotes pela União Mútua Companhia Construtora e Crédito S.A.
A proposta inicial era criar um loteamento de residências de alto padrão. Contudo, a infraestrutura prometida nunca foi completamente implantada, resultando no abandono dos lotes e na ocupação informal por famílias de baixa renda, principalmente migrantes do nordeste, que buscavam oportunidades de trabalho na construção civil.
Durante as décadas de 1950 e 1960, a região começou a se transformar. Inicialmente, pequenos lotes eram ocupados e a área contava com algumas chácaras e criação de gado.
Com a valorização do Morumbi, impulsionada pelo desenvolvimento de bairros de classe alta e a abertura de novas vias, Paraisópolis passou a atrair mais migrantes e trabalhadores.
O desenvolvimento da favela
Os anos 1970 foram marcados pelo surgimento dos primeiros barracos, intensificando a ocupação da região.
Apesar de propostas de urbanização, como o Plano de Desenvolvimento Integrado de Santo Amaro, as iniciativas para melhorar a infraestrutura local não saíram do papel.
A migração para Paraisópolis continuou a aumentar, com muitos atraídos pelas oportunidades econômicas na construção civil.
A partir de 2005, a comunidade começou a experimentar mudanças significativas. Um programa de urbanização foi implementado, trazendo melhorias no sistema viário, drenagem, iluminação pública e saneamento básico. Essas intervenções tiveram um impacto positivo na qualidade de vida dos moradores.
Curiosidades de Paraisópolis
Confira 3 curiosidades que chamam a atenção do público na favela de Paraisópolis.
1) O efeito novela
Segundo informações do site El País, os moradores de Paraisópolis protestaram após a novela de 2015, exigindo da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado a retomada das obras de urbanização que estavam paradas há dois anos.
A pauta do protesto incluiu a construção de conjuntos habitacionais, um hospital, o aumento do aluguel social e a canalização de um córrego.
O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) defendeu que não houve interrupção dos investimentos na região, mas a União dos Moradores denunciou um “abandono” e falta de diálogo com a prefeitura.
2) Houve uma festa de centenário
Na festa do centenário, Paraisópolis promoveu diversas ações, incluindo a criação de um espaço recreativo para crianças e a iniciativa “Um Presente para Paraisópolis”, que arrecadou brinquedos e alimentos para as famílias locais.
Essas iniciativas, coordenadas pelo G10 das Favelas, visam fortalecer o sentido de comunidade e promover o empreendedorismo local.
3) Dados de Paraisópolis
Confira alguns dados curiosos sobre Paraisópolis, baseado em um levantamento do g1.
- 2ª maior favela de São Paulo e 5ª maior do Brasil
- 10 km² de área
- 100 mil habitantes
- 21 mil domicílios
- 12 mil moradores analfabetos ou semianalfabetos
- 31% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, portanto mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades
- 42% das famílias têm mulheres como responsáveis
- Renda média de 87% dos chefes de família é de até 3 salários mínimos
- 21% da população que tem emprego atua no comércio local
- Aproximadamente 10 mil comércios locais
- Grande crescimento nos últimos anos
- Grandes empresas ingressando no mercado local
- 12 escolas públicas (estaduais e municipais), uma Escola Técnica Estadual (Etec), um Centro Educacional Unificado (CEU), três unidades básicas de saúde (UBS) e uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA)
Embora Paraisópolis enfrente desafios, como a pobreza e a falta de infraestrutura, a resiliência de seus moradores e as ações comunitárias demonstram a força de uma comunidade que, ao longo de um século, tem se adaptado e lutado por melhorias.



