Copa do Mundo: o que pode te fazer ser barrado de viajar para os EUA

Abordagens rigorosas em aeroportos, fiscalização de celulares e aumento de interrogatórios têm assustado os brasileiros que desejam entrar no país

Estrangeiros que planejavam viajar aos EUA, especialmente em um momento de endurecimento do discurso migratório no país, estão inseguros

Estrangeiros que planejavam viajar aos EUA, especialmente em um momento de endurecimento do discurso migratório no país, estão inseguros | Wirestock/Freepik

A realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos (país-sede ao lado de México e Canadá) deveria representar um dos maiores impulsos econômicos da década para o país. A expectativa é de bilhões de dólares movimentados pelo turismo internacional, além do aumento expressivo na circulação de estrangeiros durante o evento.

Continua após a publicidade

Contudo, um novo fenômeno começa a preocupar especialistas, em que os turistas estão com medo da imigração norte-americana e acabam reconsiderando viagens ao país, inclusive para assistir à Copa.

Nos últimos meses, relatos sobre abordagens rigorosas em aeroportos, fiscalização de celulares, aumento de interrogatórios na imigração e casos de barramento mesmo com visto válido passaram a circular com força nas redes sociais e na imprensa internacional.

O cenário é o que provoca a insegurança em estrangeiros que planejavam viajar aos EUA, especialmente em um momento de endurecimento do discurso migratório no país.

Continua após a publicidade

Problemas e burocracia para entras nos EUA

Afinal, o medo é exagero ou realmente existem riscos para turistas brasileiros e estrangeiros? E mais: o que pode levar alguém a ser barrado na imigração norte-americana, mesmo estando aparentemente com toda a documentação correta?

Para o advogado especialista em imigração Diego Felis Sales, o problema vai além da burocracia migratória tradicional e já começa a impactar o comportamento de turistas, estudantes e até investidores internacionais.

“A imigração americana deixou de ser vista apenas como um processo burocrático e passou a gerar receio real em parte dos estrangeiros. Hoje, muitos turistas têm dúvidas sobre até onde vai a fiscalização e o que pode ser interpretado como inconsistência na entrada no país”, explica.

Diego também explica que alguns comportamentos aparentemente simples podem acender alertas durante a entrada nos Estados Unidos.  Então, para identificar se sua viagem aos EUA pode estar em risco, procure responder a essas perguntas:

Continua após a publicidade
  • Sua viagem é compatível com o tipo de visto emitido?
  • Você consegue comprovar financeiramente sua permanência no país?
  • O tempo da viagem faz sentido para o objetivo informado?
  • Há mensagens, contatos ou informações no celular que possam contradizer o motivo da viagem?
  • Você já ficou mais tempo do que o permitido em viagens anteriores?
  • Sua hospedagem e roteiro estão claros?
  • Existe qualquer indício de intenção de trabalho irregular nos EUA?

Ter o visto aprovado não significa entrada garantida. A decisão final acontece na imigração, no momento do desembarque”, alerta Sales.

Conversas e mensagens podem afetar aprovação de sua entrada

Outro ponto que tem gerado apreensão é a possibilidade de inspeção de dispositivos eletrônicos durante a entrada no país. Embora o procedimento não seja aplicado em todos os passageiros, ele pode acontecer em situações específicas, principalmente quando agentes identificam inconsistências nas informações apresentadas pelo viajante.

Segundo o advogado, muitas pessoas ainda desconhecem que conversas, e-mails, currículos ou mensagens relacionadas a trabalho informal podem gerar suspeitas migratórias dependendo do contexto.

“O maior erro é acreditar que a imigração avalia apenas documentos. Hoje existe uma análise comportamental muito mais ampla”, afirma.

Com isso, especialistas apontam que a preocupação em torno da imigração norte-americana já ultrapassa o campo jurídico e começa a influenciar diretamente decisões de turismo, intercâmbio e negócios internacionais.

Continua após a publicidade

Desse modo, em meio à expectativa pela Copa do Mundo de 2026, o aumento da sensação de insegurança entre estrangeiros pode representar um desafio para os próprios Estados Unidos, que tentam consolidar sua imagem como principal destino global para grandes eventos e oportunidades econômicas.