Em meio ao azul do Pacífico, um atol que um dia chamou a atenção de Hollywood passou a ter outra vocação. Tetiaroa, na Polinésia Francesa, foi comprado por Marlon Brando em 1966, depois que o ator conheceu o lugar durante as filmagens de Mutiny on the Bounty. Hoje, o mesmo território é usado para proteger a vida marinha e acompanhar a reprodução de tartarugas-verdes.
Em uma das temporadas recentes de monitoramento, pesquisadores estimaram a chegada de 15.614 filhotes de tartaruga-verde à água. O trabalho também registrou 113 fêmeas e cerca de 161 ninhos espalhados pelos pequenos recifes que formam o atol.
O lugar que encantou Brando
A história começou antes da compra. Brando visitou Tetiaroa em 1960 enquanto procurava locações para o filme Mutiny on the Bounty. O conjunto formado por 12 pequenas ilhotas ao redor de uma lagoa chamou a atenção do ator.
Seis anos depois, ele negociou a aquisição dos direitos sobre as terras do atol. A ideia, segundo o relato recuperado pela matéria de referência, não era transformar o espaço em um grande empreendimento comercial.
Brando construiu uma pequena vila em Motu Onetahi para receber a família e cientistas. A escolha ajudou a estabelecer uma relação entre o local e atividades de pesquisa e preservação que continuariam depois de sua morte, em 2004.
Tartarugas no centro da pesquisa
As praias tranquilas de Tetiaroa são usadas pelas tartarugas-verdes, conhecidas localmente como honu, durante o período de reprodução. As equipes acompanham a chegada das fêmeas, identificam os animais e monitoram os ninhos.
O levantamento mais recente citado na reportagem contabilizou mais de 430 rastros de tartarugas nas praias. Os pesquisadores também acompanharam 161 ninhos e estimaram a quantidade de filhotes a partir das cascas deixadas depois da eclosão.
A pesquisa no atol não se limita às tartarugas. O trabalho de conservação também envolve a recuperação do ecossistema e o controle de espécies introduzidas que poderiam ameaçar animais e plantas nativos.
Um refúgio acompanhado de perto
A proteção acontece principalmente durante a temporada de reprodução. As equipes percorrem as praias à noite, quando as fêmeas chegam para colocar os ovos, e acompanham os ninhos até a saída dos filhotes.
O monitoramento realizado por Te Mana o te Moana ocorre há anos e reúne informações sobre fêmeas, ninhos, rastros, nascimento dos filhotes e possíveis ameaças ao ciclo reprodutivo.
O resultado mais recente ajuda a dimensionar a importância do trabalho. Mais de 15 mil filhotes chegaram à água em uma única temporada monitorada, transformando um antigo refúgio particular ligado a uma estrela de cinema em um território marcado pela pesquisa e pela conservação.
Ainda assim, o nascimento dos filhotes não encerra o desafio. Depois de deixar as praias protegidas do atol, as tartarugas passam a enfrentar riscos no oceano, incluindo plástico, pesca e mudanças nas condições ambientais.






