Aos 38 anos, Marlon Brando se apaixonou por uma ilha de corais e, hoje, ela protege milhares de tartarugas no Pacífico 

O lugar descoberto durante as filmagens de um clássico de Hollywood ganhou outra história ao se tornar área de proteção ambiental. 

Tetiaroa, atol da Polinésia Francesa que passou de refúgio particular de Marlon Brando a área de conservação. (Foto: Reprodução/Montagem Gazeta)

Em meio ao azul do Pacífico, um atol que um dia chamou a atenção de Hollywood passou a ter outra vocação. Tetiaroa, na Polinésia Francesa, foi comprado por Marlon Brando em 1966, depois que o ator conheceu o lugar durante as filmagens de Mutiny on the Bounty. Hoje, o mesmo território é usado para proteger a vida marinha e acompanhar a reprodução de tartarugas-verdes.

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Em uma das temporadas recentes de monitoramento, pesquisadores estimaram a chegada de 15.614 filhotes de tartaruga-verde à água. O trabalho também registrou 113 fêmeas e cerca de 161 ninhos espalhados pelos pequenos recifes que formam o atol.

O lugar que encantou Brando

A história começou antes da compra. Brando visitou Tetiaroa em 1960 enquanto procurava locações para o filme Mutiny on the Bounty. O conjunto formado por 12 pequenas ilhotas ao redor de uma lagoa chamou a atenção do ator.

Seis anos depois, ele negociou a aquisição dos direitos sobre as terras do atol. A ideia, segundo o relato recuperado pela matéria de referência, não era transformar o espaço em um grande empreendimento comercial.

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Brando construiu uma pequena vila em Motu Onetahi para receber a família e cientistas. A escolha ajudou a estabelecer uma relação entre o local e atividades de pesquisa e preservação que continuariam depois de sua morte, em 2004.

Tartarugas no centro da pesquisa

As praias tranquilas de Tetiaroa são usadas pelas tartarugas-verdes, conhecidas localmente como honu, durante o período de reprodução. As equipes acompanham a chegada das fêmeas, identificam os animais e monitoram os ninhos.

O levantamento mais recente citado na reportagem contabilizou mais de 430 rastros de tartarugas nas praias. Os pesquisadores também acompanharam 161 ninhos e estimaram a quantidade de filhotes a partir das cascas deixadas depois da eclosão.

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A pesquisa no atol não se limita às tartarugas. O trabalho de conservação também envolve a recuperação do ecossistema e o controle de espécies introduzidas que poderiam ameaçar animais e plantas nativos.

Um refúgio acompanhado de perto

A proteção acontece principalmente durante a temporada de reprodução. As equipes percorrem as praias à noite, quando as fêmeas chegam para colocar os ovos, e acompanham os ninhos até a saída dos filhotes.

O monitoramento realizado por Te Mana o te Moana ocorre há anos e reúne informações sobre fêmeas, ninhos, rastros, nascimento dos filhotes e possíveis ameaças ao ciclo reprodutivo.

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O resultado mais recente ajuda a dimensionar a importância do trabalho. Mais de 15 mil filhotes chegaram à água em uma única temporada monitorada, transformando um antigo refúgio particular ligado a uma estrela de cinema em um território marcado pela pesquisa e pela conservação.

Ainda assim, o nascimento dos filhotes não encerra o desafio. Depois de deixar as praias protegidas do atol, as tartarugas passam a enfrentar riscos no oceano, incluindo plástico, pesca e mudanças nas condições ambientais.