Fim das ‘comprinhas mágicas’: Nova taxa atinge diretamente compras feitas em Temu, Shein e AliExpress

Temu, Shein e AliExpress sentem os efeitos da nova regra, enquanto consumidores passam a concentrar pedidos de maior valor

Cobrança de 3 euros para pequenos pacotes vindos de fora do bloco europeu já provoca queda nas compras e muda a estratégia das grandes plataformas (Foto: Pexels)

Cobrança de 3 euros para pequenos pacotes vindos de fora do bloco europeu já provoca queda nas compras e muda a estratégia das grandes plataformas (Foto: Pexels)

Aquela compra pequena, feita por impulso porque “está barato demais para deixar passar”, ficou menos atraente para muitos consumidores europeus.

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Desde 1º de julho de 2026, uma nova cobrança da União Europeia passou a atingir pequenos pacotes vindos de fora do bloco. O efeito já aparece nos números: a entrada dessas encomendas caiu entre 30% e 40%.

A taxa que mudou a conta das compras online

A nova regra estabelece uma cobrança de 3 euros (R$18) por categoria de produto em pacotes de até 150 euros (R$ 900) que entram na União Europeia.

Antes, encomendas abaixo desse valor tinham uma isenção de direitos aduaneiros. A mudança foi criada em meio à preocupação europeia com o enorme volume de produtos baratos que chegam do exterior e com a concorrência enfrentada pelos comerciantes locais.

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E quem sente o impacto não são apenas as empresas. Para o consumidor acostumado a colocar vários itens pequenos no carrinho, aquela diferença que parecia insignificante pode mudar a decisão de finalizar a compra.

Temu foi quem mas sentiu o impacto

Os números de vendas ajudam a mostrar o tamanho da mudança. Uma análise da plataforma francesa Joko, baseada em transações bancárias de cerca de 1,5 milhão de pessoas, apontou uma queda de 50% volume de vendas da Temu entre junho e julho.

Na AliExpress, a redução foi de 37%. Já a Shein teve uma queda menor, de 15%. A diferença chama atenção justamente porque as três plataformas dependem fortemente da oferta de produtos baratos para atrair consumidores.

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Quem ainda compra está gastando mais

A cobrança também parece estar mudando o comportamento de quem continua comprando.

Segundo os dados da Joko, o valor médio das compras na Temu aumentou 30%, enquanto na AliExpress a alta foi de 27% entre junho e julho.

Na prática, isso sugere uma mudança interessante: em vez de várias compras pequenas, os consumidores podem estar concentrando mais produtos em pedidos de maior valor.

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A própria AliExpress informou que já incorporou os custos aduaneiros aos preços.

Por que a Shein caiu menos?

Entre as três gigantes, a Shein aparece como a que sofreu uma queda proporcionalmente menor. Um dos motivos apontados está na estrutura logística dentro da própria Europa.

A empresa teria um grande armazém na Polônia, aberto em dezembro de 2025, e também teria encomendado a construção de um centro logístico maior no país, próximo a um aeroporto.

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A lógica é simples: ao manter mercadorias armazenadas dentro da União Europeia, a empresa consegue enviar determinados produtos aos consumidores a partir do próprio bloco, em vez de depender exclusivamente de pequenos pacotes enviados diretamente de fora da UE.

Isso ajuda a explicar por que a queda da Shein foi menor que a registrada por Temu e AliExpress.

A mudança acontece depois de uma explosão de encomendas

A dimensão do problema ajuda a entender por que a União Europeia decidiu mexer nas regras. Em 2025, quase 5,9 bilhões de pequenos envios chegaram ao mercado europeu.

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Cerca de 93% deles vieram da China. O volume foi aproximadamente quatro vezes maior que o registrado em 2022.

Além da concorrência com empresas europeias, o aumento das importações também trouxe preocupações relacionadas à segurança dos produtos e ao controle aduaneiro.

A nova cobrança faz parte de uma mudança mais ampla na forma como a União Europeia pretende lidar com a entrada de mercadorias baratas vindas de fora do bloco.