Arqueólogos identificaram em Ítaca, na Grécia, fortes evidências de um antigo santuário dedicado a Odisseu, o herói da Odisseia. Descoberta ajuda a explicar como personagens da mitologia grega, para além de heróis nas histórias, ocupavam espaço na vida religiosa das cidades antigas.
O local fica em Agios Athanasios, no norte da ilha, em uma área conhecida desde o século 19 como Escola de Homero. Inscrições com o nome de Odisseu, moedas, oferendas e estruturas de culto reforçam a ligação do espaço com o herói.
O que foi encontrado em Ítaca?
As novas evidências vieram de um programa da Universidade de Ioannina, que reexamina materiais de escavações feitas no sítio. Entre os achados mais importantes estão fragmentos de telhas com inscrições gregas associadas ao nome de Odisseu.
Uma das inscrições traz uma forma que pode ser lida como “de Odisseu”. Outra parece indicar uma dedicação “a Odisseu”. Para os pesquisadores, esse tipo de marca ajuda a identificar o espaço como um santuário público de culto ao herói.
Também foram encontradas mais de 100 moedas, objetos votivos, joias, pesos de tear, fragmentos de bacias rituais e uma pequena escultura de bronze com características atribuídas a Odisseu na arte greco-romana (Foto: XXX)
Relação mitológica
Odisseu, também chamado de Ulisses na tradição latina, é um dos personagens centrais da literatura ocidental. Na poema épico grego Odisseia, de Homero, ele tenta voltar para Ítaca após a Guerra de Troia.
Apesar de não haver provas de que suas aventuras épicas realmente aconteceram no passado, a descoberta comprova pelo menos como essas histórias repercutiram nos povos da Antiguidade. Para os antigos habitantes da ilha, Odisseu era mais do que um personagem de histórias contadas em versos.
Nos versos escritos por Homero, Odisseu enfrentou diversas ameaças mitológicas, como monstros, deuses vingativos e bruxas (Foto: Trento, Antonio da / Wikimedia Commons)Na Grécia Antiga, heróis podiam receber culto como ancestrais, protetores locais ou figuras semidivinas. Esse tipo de devoção ajudava comunidades a organizar seu passado, explicar sua origem e reforçar laços políticos e religiosos.
O local era mais antigo que Homero
As camadas arqueológicas indicam que Agios Athanasios tinha ocupação humana muito anterior aos períodos helenístico e romano. Foram identificados vestígios do Neolítico, da Idade do Bronze e da fase micênica, quando centros fortificados dominavam partes do Egeu.
Monastério arruinado em Agios Athanasios (Foto: Schuppi / Wikimedia Commons)Segundo um estudo publicado no Journal of Neolithic Archaeology, o sítio reúne sinais de ocupação neolítica permanente no fim do quinto e no quarto milênio a.C. Isso indica que Ítaca já fazia parte de redes antigas de circulação no mar Jônico.
Uma cisterna subterrânea de época micênica também chamou atenção. O professor Giannos Lolos afirmou à Greece Is que “não era um assentamento menor” e que a escala da instalação sugere um ponto de importância regional.











