Internet pela luz? Entenda o Li-Fi, tecnologia que promete ser 100 vezes mais rápida que o Wi-Fi

Sistema usa luz visível ou infravermelho para transmitir dados sem depender de ondas de rádio

Dispositivos com essa tecnologia já possuem selo de aprovação, mas ainda carecem de maior adesão da indústria

Dispositivos com essa tecnologia já possuem selo de aprovação, mas ainda carecem de maior adesão da indústria | Matheus Bertelli / Pexels

A internet do futuro pode vir de onde o usuário menos espera: da própria luz que ilumina uma sala. Essa é a promessa do Li-Fi, tecnologia que usa lâmpadas, LEDs ou emissores infravermelhos para transmitir dados em vez de ondas de rádio, como o Wi-Fi.

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Na busca por redes mais rápidas, seguras e menos congestionadas, o Li-Fi promete ser até 100 vezes mais rápido que o Wi-Fi. Nova tecnologia utilizaria a maior velocidade conhecida pelo homem, a velocidade da luz, como meio de propagar informação em escala jamais vista.

Como funciona o Li-Fi

O funcionamento básico é simples de entender: uma fonte de luz, como um LED, recebe dados da rede e varia sua intensidade luminosa em altíssima velocidade. Essas oscilações carregam informações digitais em códigos, como os zeros e uns usados em qualquer transmissão de dados.

Do outro lado, um receptor óptico, geralmente um fotodiodo, capta essas pequenas variações de luz e as converte novamente em sinal elétrico. Para o usuário, a lâmpada parece acesa normalmente; para o aparelho compatível, ela funciona como um ponto de acesso.

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Entre as vantagens mais citadas estão a baixa interferência eletromagnética e a segurança física. Como a luz não atravessa paredes como as ondas de rádio, o sinal tende a ficar confinado ao ambiente iluminado, o que pode reduzir riscos de interceptação externa.

Essa mesma característica também é uma limitação. O Li-Fi depende de alcance óptico, linha de visada ou reflexão suficiente. Se o receptor ficar em sombra, se afastar demais ou não tiver o componente adequado, a conexão pode perder desempenho (Foto: SycedEssa mesma característica também é uma limitação. O Li-Fi depende de alcance óptico, linha de visada ou reflexão suficiente. Se o receptor ficar em sombra, se afastar demais ou não tiver o componente adequado, a conexão pode perder desempenho (Foto: Syced / Wikimedia Commons)

Qual é o estado atual da tecnologia

O Li-Fi já passou da fase experimental, mas ainda não chegou ao nível de popularização do Wi-Fi. Dispositivos com essa tecnologia já possuem a aprovação do padrão IEEE 802.11bb, porém sua aplicação é nichada. 

Os principais setores que utilizam Li-Fi são aqueles em que as redes Wi-Fi tradicionais apresentam problemas. Seja por interferência nas ondas de rádio, como em hospitais, ou em locais de alta segurança, como bases militares ou governamentais.

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Há produtos comerciais no mercado voltados a aplicações específicas. A Signify, por exemplo, oferece a linha Trulifi, solução Li-Fi para locais em que redes sem fio tradicionais falham, com conexão bidirecional, baixa latência e segurança física.

Segundo a Signify, o sistema Trulifi 6004 recebeu validação FIPS 140-3, padrão criptográfico associado ao NIST, reforçando o foco da tecnologia em aplicações sensíveis e corporativas (Foto: Divulgação / Signify)Segundo a Signify, o sistema Trulifi 6004 recebeu validação FIPS 140-3, padrão criptográfico associado ao NIST, reforçando o foco da tecnologia em aplicações sensíveis e corporativas (Foto: Divulgação / Signify)

A pureLiFi também trabalha em módulos para integrar a tecnologia a dispositivos conectados. A empresa apresentou o Light Antenna ONE como um componente pensado para permitir Li-Fi em aparelhos como notebooks, smartphones e outros equipamentos, mas isso ainda depende da adesão da indústria.

O estudo mineiro que testa internet pela luz

No Brasil, um dos exemplos mais interessantes vem de Minas Gerais. O Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, pesquisa sistemas de comunicação por luz visível, conhecidos pela sigla VLC, no Laboratório WOCA, dedicado a tecnologias convergentes sem fio e ópticas.

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Em material institucional, o Inatel afirma que pesquisadores do laboratório conseguiram transmissões usando um padrão pré-estabelecido para redes de quinta geração, com velocidades de até 20 Gbps para o usuário final. 

O ponto técnico mais importante é que o estudo mineiro trata de VLC, ou comunicação por luz visível, uma tecnologia semelhante e diretamente relacionada ao Li-Fi.  Segundo a instituição, os testes já miram aplicações em 6G.