‘Meu mundo é isso aqui’: milionário de São Bernardo deixou tudo que tinha para a educação e fundou um colégio particular gratuito

Antes de morrer, Salvador Arena destinou todo seu patrimônio à fundação que mantém uma escola gratuita conhecida pela excelência no ensino

Empresário que construiu uma das maiores indústrias do país decidiu transformar sua fortuna em um legado voltado à educação e à assistência social (Foto: Reprodução/Youtube/@canalprofitec)

Empresário que construiu uma das maiores indústrias do país decidiu transformar sua fortuna em um legado voltado à educação e à assistência social (Foto: Reprodução/Youtube/@canalprofitec)

Durante décadas, um empresário construiu uma das maiores indústrias privadas do Brasil e acumulou uma fortuna milionária. No entanto, foi longe das máquinas e dos metais que Salvador Arena decidiu deixar sua marca mais duradoura.

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O empresário, que chegou ao Brasil ainda criança e construiu sua trajetória em São Paulo, tinha um sonho antigo: criar uma escola modelo. Para isso, transformou parte de sua própria história em um projeto que ultrapassaria os muros de sua fábrica.

Hoje, seu nome está ligado a uma instituição de ensino gratuita em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, além de iniciativas nas áreas de saúde, assistência social e habitação popular. Mas o caminho até esse legado começou muito antes.

De uma oficina mecânica à indústria

Salvador Arena chegou ao Brasil em 1920, aos 5 anos, com a família, que se instalou em São Paulo. Seu pai, Nicola, montou uma oficina mecânica e passou a trabalhar com sucata de metais, colocando o menino desde cedo em contato com peças e máquinas.

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Aos 21 anos, Salvador se formou em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP. Depois, trabalhou na Light, tradicional empresa de energia elétrica, onde participou da implantação do sistema hidrelétrico de Cubatão.

Na época, equipamentos e peças eram importados. Quando algo quebrava, era necessário fabricar uma nova peça. Arena passou, então, a desenhar componentes, projetar detalhes e acompanhar a fabricação, muitas vezes obtendo resultados melhores que os originais.

O começo da Termomecanica

Em 1942, com apenas US$ 200 recebidos como indenização da Light, Salvador Arena fundou a Termomecanica. No início, a empresa produzia fornos e equipamentos para padarias, mas logo ampliou sua atuação industrial.

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Mais tarde, a companhia passou a fabricar equipamentos como fornos de revenimento, ventiladores, trefilas, fornos de fundição e prensas. Já em meados dos anos 1950, Salvador iniciou a construção de uma nova fábrica no Rudge Ramos, bairro de São Bernardo.

O período também favorecia a expansão dos negócios. O Brasil vivia a transição de uma economia agrícola para uma sociedade cada vez mais industrializada, enquanto Arena aproveitava máquinas usadas adquiridas nos Estados Unidos para ampliar a produção.

Uma gestão diferente para a época

Além de empresário, Arena ficou conhecido por adotar uma gestão considerada inovadora para a época. Ele valorizava o que chamava de “valioso capital humano” e conhecia os funcionários pelo nome e sobrenome.

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A política de benefícios também chamava atenção. A empresa oferecia, por exemplo, cestas básicas, atendimento médico e odontológico. Salvador ainda criou uma política de remuneração por produtividade e participação nos lucros antes de essas práticas se tornarem comuns.

Em 1948, depois de um esforço especial para atender um grande cliente, ele concedeu espontaneamente um prêmio por produtividade. A iniciativa se tornou parte da cultura da empresa e, em determinados anos, os funcionários chegaram a receber pagamentos equivalentes a vários salários adicionais.

O sonho de criar uma escola

Apesar do sucesso empresarial, Salvador Arena tinha outro projeto em mente. Seu maior sonho era criar uma escola modelo, e a primeira tentativa aconteceu ainda dentro da própria fábrica, no início dos anos 1960.

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Arena comprou 150 cadeiras e mesas, contratou professores de Português, Matemática e Ciências e montou um espaço de aulas em um pavilhão da empresa. Após o expediente, funcionários deixavam o trabalho e seguiam para a sala de aula.

Com o passar dos anos, porém, a iniciativa cresceu e deixou os limites da fábrica. O projeto se transformou no Colégio Termomecanica, criado para atender também moradores de São Bernardo do Campo e de cidades vizinhas.

Patrimônio que virou legado

Em 1964, o engenheiro formalizou a Fundação Salvador Arena, criada para concentrar ações voltadas principalmente à educação e ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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Salvador morreu em 1998, aos 83 anos. No entanto, seu testamento, lavrado em 1991, determinou que a Fundação fosse a herdeira universal e única de todo o seu patrimônio.

A entidade passou, assim, a dar continuidade aos projetos sociais que Arena já desenvolvia em vida. Seu legado se espalhou por áreas como educação, saúde, assistência social e habitação popular.

No fim, a frase que resumiu sua relação com o trabalho também ajuda a entender por que decidiu deixar sua fortuna para esse propósito. Ao ser convidado por um velho amigo para viajar ao exterior, respondeu, segundo o site da Termomecanica: “Eu sou feliz aqui, por que eu vou sair? Meu mundo é isso aqui.”

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Para Salvador Arena, esse mundo não terminou com sua morte. Ele continuou nas fábricas, nos projetos sociais e, principalmente, na escola que nasceu de um sonho antigo e passou a fazer parte da história de São Bernardo do Campo.