Em meio ao concreto de São Paulo, uma história chama atenção pela simplicidade e pelo impacto. O responsável por transformar uma área degradada em um verdadeiro refúgio verde é Hélio da Silva, conhecido como o “plantador de árvores”.
Ao longo de mais de duas décadas, ele se dedicou a recuperar trechos às margens do Córrego Tiquatira, na Zona Leste da capital.
Com mais de 40 mil mudas plantadas registradas cuidadosamente em cadernos,Hélio ajudou a transformar um cenário de lixo e abandono em um espaço cheio de vida.
O esforço contribuiu para a consolidação do Parque Tiquatira, um dos principais parques lineares da cidade, favorecendo o retorno de espécies da Mata Atlântica. A iniciativa também ajuda a amenizar o calor urbano e melhora a qualidade de vida da população.
Início da jornada solitária
A mudança começou de forma simples. Há cerca de 22 anos, já com mais de 50 anos, Hélio percebeu o abandono do córrego, tomado por lixo e com pouca vegetação.
Incomodado com a situação, decidiu agir por conta própria, plantando as primeiras mudas em áreas públicas da região da Penha.
Sem apoio no início, ele utilizou recursos próprios e muita persistência para manter o projeto. Sua proposta sempre foi direta: recuperar a vegetação nativa e reintroduzir a Mata Atlântica em uma área fortemente impactada pela urbanização.
Criação do Parque Tiquatira
Com o passar do tempo, o trabalho ganhou escala. O que antes era uma área marcada pelo descarte irregular de resíduos se transformou em um parque linear que acompanha o curso do córrego.
Hoje, o Parque Tiquatira é visto como um exemplo de recuperação ambiental dentro da cidade. Além de melhorar a paisagem, o espaço contribui para a redução da temperatura local e favorece o retorno de diferentes espécies de fauna.
Impactos ambientais positivos
Os efeitos do plantio vão além da estética. As árvores ajudam a reduzir as ilhas de calor, fenômeno comum em grandes centros urbanos como São Paulo.
Também contribuem para a infiltração da água no solo, diminuindo riscos de alagamentos, e criam condições para o retorno de aves e insetos nativos. Além disso, a vegetação auxilia na captura de carbono, colaborando com o enfrentamento das mudanças climáticas.
Legado e inspiração cidadã
Embora não haja uma proibição específica para o plantio em áreas públicas, a recomendação é buscar autorização junto ao poder público para evitar problemas e garantir a continuidade das ações.
Aos 74 anos, Hélio segue como exemplo de iniciativa individual com impacto coletivo. Sua trajetória inspira novos projetos, como as miniflorestas urbanas, e mostra que atitudes consistentes podem transformar o ambiente urbano de forma duradoura.




