Se você piscou durante a apresentação da patinação artística masculina nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026, perdeu o momento exato em que quase 50 anos de história foram reescritos.
Ilia Malinin, conhecido como “Quad God”, executou um backflip perfeito no gelo. O movimento marcou uma edição histórica dos Jogos, que já vinham chamando atenção por mudanças e inovações nas Olimpíadas de Inverno.
Por que o backflip era proibido
O salto foi banido oficialmente em 1976, e o principal motivo era o risco extremo, já que um erro mínimo poderia causar quedas graves.
Um erro de milímetros na rotação poderia levar o patinador a cair de cabeça ou pescoço no gelo rígido.
Além disso, juízes tradicionais da época consideravam o movimento uma coisa de circo ou ginástica e acreditavam ser incompatível com a estética clássica da patinação artística.
Isso porque, na patinação artística, todos os saltos devem ser aterrissados em uma única lâmina (e o mortal geralmente exige os dois pés para segurança).
Durante décadas, a manobra foi tratada como algo fora do espírito do esporte, mesmo com a evolução técnica dos atletas.
O protesto que virou lenda
Em 1998, a francesa Surya Bonaly desafiou o regulamento ao executar um backflip proibido nos Jogos Olímpicos.
Para reforçar o protesto, ela aterrissou em apenas uma lâmina, algo extremamente raro.
Mesmo punida, Bonaly entrou para a história e se tornou referência em debates sobre a evolução técnica da patinação artística.
A virada que consagrou Ilia Malinin
A proibição caiu apenas em 2024, quando a federação internacional reconheceu que o nível atlético do esporte havia mudado, e decidiu que proibir o mortal “não era mais lógico” para o atletismo moderno.
Dois anos depois, Malinin apresentou o salto no maior palco possível.
Ao completar o backflip diante de uma arena lotada, ele garantiu o ouro e transformou em arte um movimento que por décadas foi tratado como infração.


