Você tem nojo de cera de ouvido? Essa mistura pegajosa que todos nós produzimos definitivamente não é um assunto confortável, mas você sabia que ela pode dizer muito sobre a sua saúde?
Descobertas recentes no campo da genética e da medicina mostraram que a cera de ouvido, que foi por muito tempo ignorada nos estudos, na verdade possui ligações com doenças como cânceres severos e condições cardíacas.
Entenda agora do que é formada a cera nos nossos ouvidos e como os cientistas pretendem usar ela para diagnosticar doenças.
Do que a cera de ouvido é feita?
Seu nome científico é cerume, ou cerúmen, e ela é produzida por duas glândulas dentro do ouvido: a ceruminosa e a sebácea. Junto com a secreção das duas glândulas, se misturam flocos de pele morta, cabelo e outros ingredientes para formar a meleca que conhecemos.
Depois de formado, o cerume é transportado para fora por uma mecanismo na pele do ouvido, com uma velocidade de 0,05 milímetros por dia. E existem dois tipos de cera: a úmida, que é laranja e pegajosa, e a seca, que é cinza e gruda menos.
A cera úmida é mais comum entre pessoas descendentes da África e da Europa, mas 95% das pessoas na Ásia Oriental produzem cera seca nos ouvidos, o que demonstra que a produção de cerume é associada a fatores genéticos.
Informações do metabolismo
Mas as descobertas mais importantes são a de que a cera de ouvido pode ser utilizada para detectar diabetes tipo 1, tipo 2 e Covid-19. Cientistas ainda estudam a hipótese de detecção de problemas cardíacos relacionados com gordura no sangue pelo cerume.
Nelson Roberto Antoniosi Filho, professor de química da Universidade Federal de Goiás, descobriu que a cera de ouvido possui mais informações sobre o metabolismo de uma pessoa do que outros fluidos, como o sangue e o suor.
“Muitas doenças nos seres vivos são metabólicas” afirma o professor. “Nesses casos, a mitocôndria [organela presente nas células de todos os fungos, plantas e animais] funciona de maneira diferente, produzindo substâncias alternativas e até deixando de produzir outras”.
Entre as doenças metabólicas que possuem potencial para serem detectadas pela cera de ouvido, o professor destaca diabetes, câncer, doença de Parkinson e até mesmo Alzheimer.
Cientistas também descobriram que a rara doença da urina em xarope de ácer, que faz os fluidos corporais do portador terem cheiro agradável do doce canadense maple syrup, também afeta a cera de ouvido.
Está vendo? Por trás dessa meleca nojenta que evitamos pensar muito sobre, pode haver muitas informações sobre a sua saúde.





