O que é niilismo financeiro, hábito que se torna comum entre a geração Z

Artigo da Wall Street Journal aponta que hábito pode ir muito além do descontrole financeiro

Jovens possuem outros hábitos econômicos

Jovens possuem outros hábitos econômicos | Imagem: Domínio Público

É sabido pelos pesquisadores de mercado que a geração Z (nascidos em meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010) e os millennials (nascidos entre o início dos anos 1980 e meados dos anos 1990) tendem a tratar o dinheiro como um jogo.

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Enquanto gerações passadas como os baby boomers e a geração X possuem muito mais conservadorismo financeiro, os jovens dedicam maior parte da renda para moedas digitais, operam ações e fazem investimentos de alto risco. 

Mas para Kyla Scanlon, autora do livro “In This Economy”, esse novo hábito não é apenas irresponsabilidade financeira, mas uma maneira de se adaptar a uma nova realidade econômica. Entenda:

Niilismo financeiro

Essa nova atitude econômica ganhou o nome de niilismo financeiro, termo cunhado pelo podcaster Demetri Kofinas. A tese é de que o sistema parou de premiar a prudência, o planejamento a longo prazo e os caminhos tradicionais de ascensão social.

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Na verdade, o contrato implícito que sustentou a mobilidade social no pós-guerra simplesmente se rompeu. Estudar muito, poupar, trabalhar duro e investir já não são garantias de sucesso financeiro nem de atingir metas consideradas obtíveis antigamente, como financiar a própria casa.

A pesquisadora Kyla observa que o diploma, fundamental para melhores salários no passado, já não garante a ascensão no mercado de trabalho. Além disso, os pilares que sustentavam esse caminho estão fragilizados: instituições fortes, educação acessível, empregos estáveis e moradia ao alcance da renda.

Gargalos econômicos

Olhar para o cenário americano atual pode ajudar a entender por que as novas gerações não confiam mais apenas no trabalho duro e paciência. A dívida estudantil nos Estados Unidos soma US$ 1,6 trilhão.

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Por outro lado, a recompensa salarial por um diploma universitário caiu de cerca de 80% em 2001 para 75% em 2023, mesmo com um aumento aproximado de 40% no custo da faculdade.

A taxa de desemprego entre os jovens de 16 a 24 anos chegou a 10,6% nos Estados Unidos, patamar mais alto desde a pandemia. O mercado imobiliário também é outro gargalo: a porcentagem de jovens que possuem imóveis caiu 40% entre os millenials e os gen Z, comparados aos boomers e aos gen X.

A relação entre os preços dos imóveis e a renda dobrou em relação às décadas de 1980 e 1990. Ou seja, o preço da casa própria dobrou, mas o salário não acompanhou. Para muitos, o sonho de ser bem sucedido, como os pais são, morreu.

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Comportamento de adaptação

Quase dois terços dos millennials e gen z entrevistados pela Harris Poll acreditam que a unica forma de ascender socialmente hoje em dia passa por alternativas ao mercado de trabalho, como apostas e criptoativos

Já a Gemini mostrou que 31% dos apostadores jovens possuem conta ativa em sites de apostas online, e uma boa parcela deles realiza apostas várias vezes durante a semana. 

Mas a tese é de que isso não reflete uma falta de apego financeiro ou um desconhecimento dos mercados de risco. Na verdade, o que os dados apontam é que os jovens conhecem o risco muito bem, eles só não enxergam outra alternativa.

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Em um mercado de trabalho cada vez mais precarizado e com menos garantias de que o trabalho duro será, de alguma maneira, recompensador, apostas e o risco surgem como uma tentativa de retomar o controle em um sistema que nega perspectiva de crescimento.

Em outras palavras: o niilismo financeiro indica na verdade uma economia fragilizada. Quando as pessoas tratam a economia como apenas um jogo, a mensagem que fica é: a maneira tradicional de vencer, que passa por disciplina, rigor e trabalho duro, não parece mais real.

Geração Z

Diversos estudos buscam entender os hábitos da geração Z. Um deles é chamado de “bedrotting”, e também está relacionado com a falta de esperança crônica da geração.