O que o nostálgico programa LazyTown já dizia sobre um problema cada vez mais perigoso na sociedade

Muito antes do boom do celular, série infantil tratou o corpo em movimento como parte da rotina e da diversão

Utilizando de cores marcantes, o programa infantil, passava sua mensagem para a juventude

Utilizando de cores marcantes, o programa infantil, passava sua mensagem para a juventude | Divulgação / IMDb

Antes de o celular dominar o tempo livre das crianças, já existia a preocupação com o sedentarismo infantil, e uma das iniciativas para resolvê-lo foi o nostálgico programa LazyTown. A série usava música, humor e acrobacias para defender uma ideia simples: se exercitar pode ser divertido.

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A estrela do show era Sportacus, personagem vivido por Magnús Scheving, criador do programa e ex-campeão de aeróbica. O programa voltou a circular graças à trend com o personagem principal e seus desafios físicos.

Um herói contra a inércia

LazyTown nunca foi apenas uma série colorida e bobinha para crianças pequenas. Por trás do visual chamativo, havia um projeto claro de comunicação. O programa tentava trocar a lógica da preguiça e a prevenção da obesidade infantil pela da brincadeira, sem parecer um sermão nos pequenos.

Isso aparece na própria construção de Sportacus: ele não era o adulto que chegava para proibir tudo. Era o personagem que transformava frutas em “sports candy“, valorizava o movimento e mostrava que correr, brincar e comer melhor também podiam ser divertidos.

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Na metade dos anos 2000, essa proposta parecia quase um contraponto à rotina que já começava a mudar. A televisão seguia forte, os videogames ganhavam espaço e a infância ficava cada vez mais dentro de casa, sobretudo nos grandes centros urbanos.

O programa entendeu cedo que a disputa não seria apenas contra a preguiça caricata do vilão Robbie Rotten. Seria também contra hábitos cotidianos que tornam o corpo mais parado, a comida mais automática e o tempo livre cada vez mais sentado.

As flexões do Sportacus são uma das razões do programa ter voltado aos holofotes com diversos influenciadores tentando imitar o desafio físico com diversas modalidades de flexõesAs flexões do Sportacus são uma das razões do programa ter voltado aos holofotes com diversos influenciadores tentando imitar o desafio físico com diversas modalidades de flexões (Foto: Reprodução / TheNaNixon / YouTube)

Problema crônico mais atual que nunca

Os dados mais recentes mostram que a preocupação do desenho não envelheceu. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 81% dos adolescentes de 11 a 17 anos no mundo não atingem o nível recomendado de atividade física.

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No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024 trouxe um retrato parecido: entre estudantes de 13 a 17 anos, apenas 30,6% foram classificados como fisicamente ativos. A maioria ficou no grupo insuficientemente ativo.

Em 2019, o percentual de adolescentes ativos era de 28,1%. Em 2024, esse índice subiu para 30,6%. Um quadro que evidencia estagnação com leves oscilações negativas.

Mesmo assim, o cenário continua longe do ideal, mais de um terço dos estudantes brasileiros passa mais de duas horas por dia em telas. Além disso, 44,5% relatam ficar mais de três horas sentados em outras atividades. Fatos que evidenciam que a população ainda não alcançou um bom equilíbrio de tempo em telas.

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O que piorou de fato

Se a atividade física não afundou de forma linear em todos os recortes, outros sinais pioraram e ajudam a explicar por que a mensagem da série ainda conversa com o presente. O principal deles é o excesso de peso entre crianças e adolescentes no mundo.

A OMS informa que a prevalência de sobrepeso, incluindo obesidade, entre pessoas de 5 a 19 anos subiu de 8% em 1990 para 20% em 2022. A obesidade isolada também avançou, de 2% para 8%.