O que seus sonhos revelam sobre sua mente enquanto você dorme, segundo a ciência

Novo estudo mostra que sonhos podem misturar memórias, vivências recentes e traços da personalidade

Enquanto o corpo repousa, o cérebro pode reorganizar memórias e criar cenas que parecem reais

Enquanto o corpo repousa, o cérebro pode reorganizar memórias e criar cenas que parecem reais | Pexels

Os sonhos não são apenas visões que aparecem aleatoriamente para nós no momento do sono. Na verdade, eles podem ser influenciados e reunir memórias e vivências do cotidiano para gerar novas cenas em nossa mente durante o descanso.

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É isso que um estudo recente, divulgado pela IMT School for Advanced Studies Lucca, indica. A pesquisa contou com a observação de mais de três mil sonhos de cerca de 200 participantes.

A partir das análises, os cientistas puderam coletar dados para compreender mais sobre as capacidades do órgão central do corpo humano, o cérebro, ao longo dos períodos de repouso do restante do organismo.

Como a ciência encara os sonhos

Para a ciência, os sonhos são definidos como um estado fisiológico e psicológico de consciência que ocorre durante o sono, caracterizado por experiências sensoriais, motoras e emocionais.

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A neurociência moderna vê os sonhos como o resultado de uma intensa atividade cerebral, especialmente durante a fase REM (Rapid Eye Movement), em que o cérebro opera em frequências similares às de quando estamos acordados.

A influência de vivências e fatores pessoais

O trabalho constatou que os sonhos funcionam como um “reflexo” das experiências recentes e do perfil psicológico de cada um. Eles reconstituem o que foi vivido, como ambientes e pessoas familiares, e mesclam esses elementos em cenas “pé no chão” e surreais.

A forma como a nossa mente funciona e nossos hábitos também podem ser fatores de interferência nos sonhos. Na pesquisa, pessoas com maior tendência a divagar relataram visões com mudanças constantes, enquanto indivíduos mais concentrados descreveram cenários mais ricos e imersivos.

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“Nossas descobertas mostram que os sonhos não são apenas um reflexo de experiências passadas, mas um processo dinâmico moldado por quem somos e pelo que vivemos”, explica Valentina Elce, coordenadora da pesquisa, em entrevista ao UOL.

A ciência tenta entender como lembranças, emoções e tempo se misturam durante os sonhos (Foto: Pexels)

Antiga curiosidade por trás do significado dos sonhos

Apesar de ser um estudo recente, a curiosidade por trás dos conteúdos dos sonhos é um objeto de pesquisa que intriga a ciência há muito tempo. Psicanalistas de referência na área encaravam esse fenômeno como uma simbologia de desejos reprimidos.

Para Sigmund Freud, pai da psicanálise, o sonho era a “estrada real para o inconsciente”. Ele acreditava que o cérebro disfarçava desejos proibidos em símbolos para que a pessoa não acordasse assustada.

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Carl Jung, outra referência na área e criador da psicologia analítica, via os sonhos como uma forma de compensação, tentando equilibrar a psique e conectando o indivíduo a símbolos universais, os arquétipos.