Pesquisa da USP mostra como cães reconhecem expressões e emoções humanas

Artigo científico analisa cognição canina e evolução da relação entre cães e humanos

Animais costumam se aproximar mais de pessoas sorridentes e evitar aquelas que demonstram raiva

Animais costumam se aproximar mais de pessoas sorridentes e evitar aquelas que demonstram raiva | Freepik

Pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram artigo que discute a capacidade dos cachorros compreenderem expressões humanas, perceber emoções e desenvolver personalidade ao longo do convívio com seres humanos.

Natalia Albuquerque, professora e pesquisadora, afirmou ao Jornal da USP que a motivação para escrever o artigo foi debater as ideias em comunidade.

O artigo pode ser acessado na revista “Evolutionary Human Sciences”, onde as autoras exploram como a cognição dos cães se relaciona com a nossa comunicação emocional.

Como funciona a relação entre humanos e cachorros

A professora Briseida Dôgo de Resende apresenta pontos sobre as duas fases que influenciam o desenvolvimento cognitivo dos cães.

Ela explica que esses momentos se manifestam tanto durante a evolução da espécie quanto na vivência pessoal de cada animal.

A seleção natural pode ter favorecido cães mais capazes de interpretar emoções humanas e assim conviver melhor com pessoas.

A forma como cães percebem rostos e gestos pode ser comparada a outras formas de comunicação entre humanos e cães observadas em estudos comportamentais.

Contudo, Resende ressalta que ainda não é possível afirmar com exatidão como essa evolução ocorreu ao longo da história da domesticação.

O melhor amigo do homem é inteligente

O artigo também mostra que cachorros conseguem assimilar informações emocionais e responder com base nelas.

Por exemplo, animais costumam se aproximar mais de pessoas sorridentes e evitar aquelas que demonstram raiva.

Isso acontece porque os cães não só reconhecem emoções humanas, como também aprendem a associar essas expressões a consequências de suas próprias experiências sociais.

“Essas habilidades foram críticas para a aproximação das duas espécies, para o estabelecimento de laços e para a manutenção dos relacionamentos”, afirma Natalia Albuquerque.

Comportamentos como olhar para o rosto do ser humano em situações de estresse ou alegria revelam que o cão não apenas percebe sinais emocionais como também ajusta sua resposta de acordo com o contexto do ambiente.

O que está no radar para futuras discussões

As pesquisadoras sugerem que novas investigações incluam fatores demográficos, níveis de apego e traços de personalidade para ampliar o entendimento sobre a cognição canina.

Elas destacam também a importância de considerar diferenças culturais e contextuais, pois esses elementos influenciam a forma como cães e humanos constroem seus vínculos.

Natalia Albuquerque conclui que para compreender verdadeiramente os cães é preciso entender sua vida emocional e como eles percebem o mundo ao redor.