Possível origem do Stonehenge pode ter sido de uma competição entre povos neolíticos

Pesquisadores acreditam que o monumento pode ter sido uma demonstração de poder entre comunidades pré-históricas

Hipótese sugere que mover pedras gigantes funcionava como símbolo de prestígio e organização social (Foto: Diego Delso/ Wikimedia Commons)

Hipótese sugere que mover pedras gigantes funcionava como símbolo de prestígio e organização social (Foto: Diego Delso/ Wikimedia Commons)

O mistério de Stonehenge pode estar ganhando um novo capítulo. Uma teoria diz que o monumento pré-histórico não foi construído apenas por motivos religiosos ou astronômicos, mas também por uma espécie de “competição” entre povos neolíticos da região.

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Durante décadas, arqueólogos tentaram entender por que povos antigos investiram tanto esforço para erguer o Stonehenge, um dos monumentos mais famosos do planeta. O círculo de pedras gigantes, no sul da Inglaterra sempre esteve ligado a rituais religiosos, observação das estrelas e até cerimônias ligadas aos mortos.

A lógica seria parecida com grandes obras monumentais vistas em diferentes civilizações ao longo da história. Quanto mais grandiosa a construção, maior seria a demonstração de poder daquele grupo perante os vizinhos.

Segundo Win Scutt da English Heritage, mover pedras enormes por quilômetros seria uma forma de mostrar força coletiva, tecnologia e prestígio social.

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Linha de pensamento

O período neolítico na Grã-Bretanha foi marcado pelo surgimento de vários monumentos megalíticos na região. Isso significa que tinha um grande movimento de construções utilizando pedras gigantes acontecendo ao mesmo tempo, o que pode ser ligado à identidade e ao status de cada povo.

Pesquisadores e cientistas estudaram locais próximos do monumento e, ao escavar, encontraram ossos de animais e pedaços de cerâmica da época, o que mostra que o local servia para reunião do grupo, onde se alimentavam e passavam tempo na construção do Stonehenge.

Os estudiosos acreditam que transportar blocos gigantescos exigia planejamento, mão de obra e cooperação entre as comunidades. Algumas pedras do Stonehenge vieram do País de Gales, as conhecidas “pedras azuis”, a mais de 250 km de distância, o que é impressionante.

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Pesquisadores acreditam que as enormes pedras eram levadas usando uma combinação de trenós, cordas e troncos de madeira que ajudavam a deslizar o material pelo caminho. Segundo estimativas, para mover uma dessas rochas podia exigir o esforço de aproximadamente 500 pessoas ao mesmo tempo.

Stonehenge e a astronomia

O monumento também é conhecido pela relação com a astronomia. Ele foi construído de forma estratégica para se alinhar aos fenômenos do ano. O Stonehenge pode ter funcionado como uma espécie de calendário, a posição das pedras guiaria os povos a identificar mudanças de estação, períodos de plantio e colheita.

No solstício de verão, que acontece em junho no hemisfério norte, o Sol nasce exatamente alinhado com a chamada Heel Stone, uma pedra posicionada do lado de fora do círculo principal. O fenômeno cria um efeito visual impressionante, com os primeiros raios solares atravessando o centro do monumento.

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Já no solstício de inverno, o alinhamento acontece com o pôr do Sol. Muitos arqueólogos acreditam que essa época do ano tinha enorme importância para as comunidades antigas, já que marcava o período mais escuro e frio do calendário, além de simbolizar renovação e esperança pela volta dos dias mais longos.

Mesmo após tantos estudos, Stonehenge continua cercado de perguntas. E talvez seja isso que faz o monumento ser tão fascinante até hoje: cada nova descoberta revela que os povos neolíticos eram muito mais inteligente, organizados, competitivos e sofisticados do que se imaginava.