Nos anos 1980 e 1990, muitas famílias espanholas compravam a tartaruga-de-orelha-vermelha (que também recebe o nome de galápago da Flórida) como se fosse um pequeno canário de estimação.
No entanto, a maioria dessas pessoas ignorava um detalhe crucial: o crescimento acelerado desse animal. Na fase adulta, esta espécie específica supera os 30 centímetros de comprimento.
Dessa forma, o animal rapidamente se tornava grande demais para os aquários domésticos comuns. Diante desse desafio, muitos donos simplesmente liberavam os répteis em rios, lagos e lagoas locais.
Essa atitude, embora parecesse inofensiva na época, iniciou uma das maiores crises ambientais da Europa. Hoje, a tartaruga-de-orelha-vermelha integra oficialmente a lista das 100 espécies exóticas invasoras mais nocivas do planeta.
Agressividade da tartaruga-de-orelha-vermelha

Mas por que esta espécie causa tanto estrago onde se instala? Em primeiro lugar, ela possui um tamanho superior e um comportamento muito mais agressivo que as espécies nativas, como o galápago-leproso. Por esse motivo, ela domina facilmente os territórios e vence a disputa por espaço.
Além disso, o réptil compete diretamente por alimento e pelos melhores locais de insolação (onde os animais tomam sol).
Para piorar o cenário ecológico, a tartaruga-de-orelha-vermelha pode carregar a bactéria Salmonella. Consequentemente, ela gera um risco sanitário real para qualquer pessoa que manuseie o animal.
Uma espécie altamente adaptável e sob restrição legal
Atualmente, populações reprodutoras deste réptil já habitam o sul da Espanha. Além do mais, ninhos bem-sucedidos já surgiram até mesmo em regiões mais frias ao norte, como a Galícia, demonstrando a impressionante capacidade de adaptação da espécie a climas variados.
Por causa desse cenário alarmante, a União Europeia tomou providências rígidas. Atualmente, o bloco restringe de forma severa o comércio e a posse de espécies que integram a lista de invasoras preocupantes. Portanto, a legislação atual proíbe a venda livre desta tartaruga específica como animal de estimação.
Outra espécie de tartaruga curiosa e até considerada em extinção viralizou ao reaparecer no Brasil, a chamada tartaruga-de-couro.
Como evitar novos desastres ecológicos no futuro?
Para quem deseja adotar um animal de estimação exótico, os especialistas recomendam cautela e planejamento. Antes de realizar a compra ou adoção, você deve pesquisar criteriosamente:
- A real expectativa de vida do animal;
- O tamanho exato que ele atingirá quando adulto;
- O destino adequado e seguro caso você não consiga mais cuidar dele.
Pesquisar essas informações essenciais evita que um pet doméstico aparentemente inofensivo se transforme em um pesadelo ecológico de décadas para a natureza.
