Pode parecer uma piada ou até um trote de faculdade, mas durante muito tempo essa prática foi considerada um tratamento médico legítimo.
Há cerca de cinco séculos, manuais populares de medicina recomendavam lavar a cabeça com fezes humanas como forma de combater a calvície.
O que parecia apenas uma curiosidade histórica ganhou nova atenção recentemente. Pesquisadores analisaram livros médicos do século 16 e encontraram evidências de que essas receitas não estavam apenas escritas, elas realmente eram testadas pelas pessoas da época.
Livros médicos que viraram “best-sellers” no século XVI
A descoberta surgiu a partir do estudo de dois manuais publicados em 1531 pelo médico e oftalmologista alemão Bartholomäus Vogtherr.
Os livros tinham títulos longos e ambiciosos, como:
- Como Curar e Expulsar Todas as Aflições e Doenças do Corpo Humano.
- Um Pequeno Livro Útil e Essencial de Medicina para o Homem Comum.
Na época, essas obras funcionavam como guias de saúde doméstica, destinados a pessoas sem formação médica.
Neles era possível encontrar receitas para tratar diversos problemas do cotidiano, incluindo:
- queda de cabelo;
- mau hálito;
- dores de dente;
- úlceras genitais;
- doenças da cabeça.
Esses manuais se tornaram bastante populares e circularam amplamente na Europa renascentista.
O tratamento mais estranho: fezes contra a calvície
Entre as receitas mais curiosas encontradas pelos pesquisadores está uma recomendação bastante incomum:
lavar diariamente a cabeça careca com fezes humanas para estimular o crescimento do cabelo.
Para os padrões atuais, a prática parece absurda. Porém, na medicina da época, era comum acreditar que substâncias naturais, mesmo as mais improváveis, poderiam ter propriedades terapêuticas.
Como os cientistas provaram que as receitas eram usadas
O detalhe mais surpreendente da pesquisa veio da análise das próprias páginas dos livros. Usando uma técnica científica chamada proteômica, os pesquisadores identificaram resíduos biológicos deixados ao longo dos séculos.
Entre os vestígios encontrados estavam:
- proteínas ligadas a fezes humanas;
- traços associados a répteis, como lagartos;
- sinais de colágeno possivelmente provenientes de hipopótamos.
Essas evidências indicam que os leitores realmente manipulavam ingredientes enquanto consultavam as receitas, sugerindo que os tratamentos eram colocados em prática.
A medicina antes da ciência moderna
Além das fezes, outros ingredientes curiosos também aparecem nos manuais da época:
- óleo ou partes de lagartos para estimular o crescimento capilar;
- dentes de hipopótamo para aliviar dores de dente;
- cinzas da pele do animal para tratar problemas do couro cabeludo.
Essas receitas refletem uma fase da história em que a medicina misturava observação, crenças populares e experimentação caseira.
Uma janela curiosa para o passado
Para os historiadores, essas descobertas ajudam a entender como as pessoas lidavam com doenças antes do avanço da medicina científica.
Hoje, tratamentos para calvície envolvem medicamentos específicos, procedimentos dermatológicos e até transplantes capilares. Mas há cinco séculos, as soluções podiam ser muito mais improváveis, e, para os padrões atuais, até bastante repulsivas.
Ainda assim, essas receitas mostram algo curioso: mesmo sem tecnologia moderna, as pessoas já estavam dispostas a experimentar quase qualquer coisa em busca de um remédio.


