O córrego Tiquatira, localizado na zona leste de São Paulo, próximo ao bairro da Penha, passou de um antigo lixão em 2003 para uma floresta com mais de 41 mil árvores em cerca de 20 anos.
Aos 73 anos, o aposentado Hélio da Silva foi responsável por revitalizar 320 mil metros quadrados e criar o Parque Linear Tiquatira, que abriga diversas espécies nativas e favorece o retorno da fauna local.
Hélio deu início à iniciativa ao levar uma semente de jequitibá, espécie nativa da Mata Atlântica, para o local. Em seguida, adquiriu e plantou centenas de sementes, mas as primeiras 200 mudas acabaram sendo destruídas por atos de vandalismo.
Apesar disso, o aposentado persistiu e retornou com outras 400 mudas, que também foram perdidas da mesma forma. Diante disso, na terceira tentativa, ele optou por expandir o escopo do projeto e realizou o plantio de cerca de 5 mil árvores.
O espaço se transformou em um corredor verde em meio à cidade e reúne dezenas de espécies de árvores nativas da Mata Atlântica.
Parque Linear Tiquatira
Considerado o primeiro parque linear da cidade de São Paulo, foi implantado ao longo do Córrego Tiquatira, possuindo uma extensão de mais de três quilômetros.
Sua vegetação é composta por áreas ajardinadas e arborizadas e bosques heterogêneos. Destaques da FLORA: araribá-rosa (Centrolobium tomentosum), aroeira-mansa (Schinus terebinthifolia), aroeira-salsa (Schinus molle), bambu-imperial (Bambusa vulgaris), cedro (Cedrela fissilis), cedro-de-bussaco (Cupressus lusitanica), chapéu-de-sol (Terminalia catappa), córdia-africana (Cordia myxa), falsa-seringueira (Ficus elastica), figueira-benjamim (Ficus benjamina), guapuruvu (Schizolobium parahyba), ipê-de-el-salvador (Tabebuia rosea), jerivá (Syagrus romanzoffiana), mutambo (Guazuma ulmifolia), paineira (Ceiba speciosa), palmeira-imperial (Roystonea sp.), pau-brasil (Paubrasilia echinata), timboúva (Enterolobium contortisiliquum) e tipuana (Tipuana tipu). Já foram registradas 166 espécies vasculares, das quais estão ameaçadas de extinção: cambucá (Plinia edulis), cedro (Cedrela fissilis), pau-brasil (Paubrasilia echinata) e pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).
Quanto à FAUNA, em sua área foram observadas 45 espécies de aves, incluindo três espécies endêmicas da Mata Atlântica, periquito-rico, teque-teque e tiê-preto. Entre as aves aquáticas figuram o irerê, marreca-cabocla, graça-branca-grande e garça-branca-pequena. Também frequentam o parque o tuim, o periquitão, a maracanã-pequena e o papagaio. Chama a atenção entre os rapinantes o imponente gavião-de-rabo-branco. Ao menos dois pássaros visitantes de primavera/verão, o suiriri e a tesourinha, foram registrados.
