A simpatia é vista como talento natural, mas é possível exercitar essa habilidade e se tornar mais agradável com alguns hábitos simples.
Em uma realidade onde a hiperconectividade nos deixa cada vez mais distantes e inseguros, exercitar a sociabilização e sair da zona de conforto é essencial. Criar vínculos é uma das maneiras mais efetivas de exercitar a plasticidade cerebral e aumentar a qualidade de vida.
E não é necessário fazer esforços fora do comum para melhorar sua habilidade de desenvolver vínculos, basta ser uma pessoa atenciosa e genuína.
Faça movimentos familiares (ou quase idênticos) durante uma conversa a dois
Quando você conversa com alguém que sutilmente adota uma postura parecida com a sua ou fala em um tom de voz semelhante, o seu cérebro relaxa.
Descobertos na década de 1990 pela equipe do neurofisiologista Giacomo Rizzolatti na Universidade de Parma, os neurônios espelho são células cerebrais que inflam tanto quando realizamos uma ação quanto quando observamos outra pessoa realizando a mesma ação.
Esse espelhamento sutil ativa o sistema de identificação do interlocutor, sinalizando ao sistema límbico que você não é uma ameaça e gerando a sensação de segurança. Para aplicar, mantenha uma linguagem corporal aberta e alinhe sutilmente o ritmo da sua fala com o tom da conversa.
Sempre olhe nos olhos
O contato visual adequado é um dos gatilhos biológicos mais fortes para a construção da intimidade.
Pesquisas de neuroimagem coordenadas pela Universidade de Princeton mostram que olhar diretamente nos olhos de alguém durante uma interação estimula o cérebro a liberar ocitocina, substância conhecida como o hormônio da confiança e do vínculo social.
Por outro lado, a falta de atenção visual aciona no cérebro do interlocutor a amígdala, região ligada à detecção de ameaças e à rejeição. Para aplicar, mantenha contato visual durante cerca de 70% do tempo em que estiver escutando e 50% enquanto estiver falando.
Escute de verdade
Poucas coisas ativam tanto os circuitos neurais de prazer quanto a sensação de ser ouvida. Pesquisadores da Universidade de Harvard, sob a liderança dos neurocientistas Diana Tamir e Jason Mitchell, descobriram que falar sobre si mesmo ativa o estriado ventral e a área tegmental ventral, exatamente os mesmos circuitos do cérebro associados à recompensa por comida ou incentivos financeiros.
Quando você pratica a escuta ativa e faz perguntas que encorajam o outro a compartilhar experiências, você oferece ao cérebro dele uma dose de prazer neuroquímico. Em vez de esperar a sua vez de falar para contar a sua história, faça uma pergunta de aprofundamento.
Não finja perfeição
A neurociência cognitiva e a psicologia social apontam que pessoas que tentam parecer impecáveis ativam sinais de alerta e desconfiança nos outros.
Esse fenômeno é explicado pelo Efeito Pratfall, teorizado pelo psicólogo Elliot Aronson. Quando uma pessoa competente comete um erro leve ou demonstra vulnerabilidade, o cérebro das pessoas ao redor registra uma queda na percepção de ameaça e um aumento na empatia.
A perfeição rígida exige alto processamento cognitivo do interlocutor, mantendo o sistema de alerta ligado. Demonstrar vulnerabilidade aciona as áreas cerebrais ligadas à compaixão e ao acolhimento. Rir das suas próprias falhas bobas e admitir quando não souber algo ajuda a aproximar as pessoas.
Sorria mais
O cérebro humano é biologicamente programado para capturar o estado emocional dos outros através do contágio emocional, conceito aprofundado pelas pesquisas de neurociência e psicologia do doutor Elaine Hatfield.
Ao ver um sorriso verdadeiro, conhecido como sorriso de Duchenne, o cérebro do observador ativa áreas motoras que replicam essa expressão internamente.
Essa simulação mental libera uma pequena descarga de dopamina e endorfinas no cérebro do outro, fazendo com que ele associe a sua presença a uma sensação agradável de bem-estar.
Cultivar a presença e o entusiasmo sincero ao cumprimentar as pessoas é fundamental, pois o estado emocional que você projeta é capturado pelo cérebro do outro antes mesmo de você terminar a primeira frase.
Ser agradável sob a ótica da neurociência não tem a ver com anular a própria personalidade, mas sim com reduzir os níveis de ameaça e estresse no cérebro do outro, criando um ambiente neuroquimicamente propício para a confiança, o prazer e a conexão humana.





