Borrifar perfume em spray pode deixar de ser a única forma de usar fragrâncias nos próximos anos.
Marcas como Dior, Dolce & Gabbana, Guerlain e Natura já apostam em versões em óleo, roll-on, bastão e até em micropérolas.
Embora cada formato funcione de um jeito, todos tem o mesmo objetivo: manter o comprador perfumado e surpreso o suficiente para compartilhar a novidade com amigos e nas redes socias.
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Diferentes formas de aplicar perfume hoje
Os novos formatos surgiram para atender necessidades diferentes. O perfume roll-on, por exemplo, é compacto, permite retoques rápidos e discretos, embora normalmente seja vendido em frascos menores.
O perfume sólido também ganhou espaço por sua praticidade. Como é produzido com ceras e óleos vegetais, não vaza na bolsa, pode ser levado em viagens de avião e libera a fragrância de forma gradual, o que ajuda a prolongar a fixação na pele.
Outra alternativa é o perfume em óleo. Por não conter álcool em sua composição, ele também evapora mais lentamente e tende a permanecer por mais tempo na pele.
A maior novidade, porém, está nas micropérolas de perfume. Lançada pela Guerlain, a linha Aqua Allegoria Perle utiliza microesferas de alginato de origem natural para encapsular a fragrância.
Essas micropérolas permanecem praticamente invisíveis sobre a pele e se rompem gradualmente com o movimento do corpo ou o atrito da roupa, liberando pequenas doses do perfume ao longo do dia.
Novidade virou estratégia das marcas
Além das vantagens práticas, os formatos inusitados despertam curiosidade. Quem explica é a Ana Jacobs, CEO da Jacobs Comunicação, agência de marketing de influência com clientes como Grupo L’Oréal, Natura, Dolce & Gabbana e Grupo Boticário.
“Um produto bem pensado gera um ciclo de divulgação orgânica que nenhuma campanha paga reproduz com a mesma naturalidade”, afirma.
“Quem usa um perfume em balm (sólido em bastão), por exemplo, tende a comentar com os colegas, gravar o unboxing, mostrar a textura, comparar a eficácia com outros formatos e, assim, influenciar mais o público do que qualquer anúncio, porque vem de quem já comprou e está compartilhando por vontade própria”, explica Ana.
Quem compra perfume gosta de experimentar
A aposta em novos formatos vem de um comportamento curioso da indústria. De acordo com o estudo Health & Beauty Pulse 2026, até 53% das compras de fragrâncias são feitas por consumidores que não compravam aquela marca havia pelo menos 12 meses.
O levantamento também mostra que, nos Estados Unidos, o consumidor avalia cerca de 12 perfumes antes de escolher um.
Esse cenário explica por que a inovação ganha tanto espaço. “Quando uma categoria tem um índice de troca de marca tão alto quanto o de perfumes, não basta manter quem já compra: é preciso também atrair quem hoje é fiel a um concorrente”, revela a CEO da Jacobs Comunicação.
“A forma mais eficiente de fazer isso, sem entrar numa guerra de preço, é criando uma experiência de uso que a marca concorrente ainda não oferece”, finaliza.






