Estudante de 18 anos usa IA para identificar 1,5 milhão de objetos espaciais em dados da NASA

Com dados do telescópio NEOWISE, inteligência artificial identifica milhões de corpos celestes nunca catalogados

Sistema de aprendizado de máquina mapeia variações de luz e amplia catálogo de fenômenos cósmicos em todo o universo

Sistema de aprendizado de máquina mapeia variações de luz e amplia catálogo de fenômenos cósmicos em todo o universo | (Foto: Freepik)

Descobrir novos corpos celestes sempre foi sinônimo de telescópios potentes e observatórios caros. Agora, a tecnologia está abrindo outro caminho com o uso da inteligência artificial para acelerar descobertas no espaço.

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O estudante americano Matteo Paz, de 18 anos, usou IA para analisar dados da NASA e identificar cerca de 1,5 milhão de objetos espaciais que ainda não tinham sido catalogados.

O feito rendeu ao jovem um prêmio de 250 mil dólares, o equivalente a cerca de R$ 1,4 milhão.

Dados antigos, novas descobertas

O material analisado veio do telescópio espacial NEOWISE, que observa o céu em infravermelho desde 2009.

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Ao longo dos anos, o projeto acumulou cerca de 200 terabytes de dados, somando mais de 200 bilhões de linhas de registros.

O volume é tão grande que, por muito tempo, uma análise completa foi considerada praticamente impossível com métodos tradicionais de observação e catalogação.

A inteligência artificial como ferramenta principal

Em cerca de seis semanas, Matteo desenvolveu um sistema de aprendizado de máquina capaz de identificar pequenas variações de luz nesses dados.

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Em vez de analisar imagens manualmente, o programa detecta padrões que indicam a presença de diferentes tipos de objetos no espaço.

Com isso, foi possível catalogar mais de 2 milhões de corpos celestes, sendo aproximadamente 1,5 milhão deles desconhecidos até então.

O que o algoritmo consegue identificar

O sistema criado pelo estudante analisa mudanças na radiação infravermelha e consegue classificar fenômenos como buracos negros, sistemas de estrelas duplas, quasares e supernovas.

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Esse tipo de mapeamento ajuda pesquisadores a compreender melhor o comportamento desses objetos e a forma como o universo evolui ao longo do tempo, além de complementar outras descobertas astronômicas recentes.

Reconhecimento da comunidade científica

O projeto foi desenvolvido com apoio da Planet Finder Academy, no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

Segundo o astrônomo Davy Kirkpatrick, mentor de Matteo, ninguém havia tentado usar toda a base de dados do NEOWISE dessa maneira.

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O estudo passou por revisão de outros cientistas e foi publicado na revista especializada The Astronomical Journal.

Tecnologia que vai além do espaço

A técnica usada no projeto envolve ferramentas matemáticas capazes de detectar variações sutis em grandes volumes de dados. Por isso, o método pode ser adaptado para outras áreas.

Setores como finanças, neurociência e monitoramento ambiental também lidam com enormes quantidades de informação e podem se beneficiar da identificação automática de padrões relevantes.