A internet do futuro pode vir de onde o usuário menos espera: da própria luz que ilumina uma sala. Essa é a promessa do Li-Fi, tecnologia que usa lâmpadas, LEDs ou emissores infravermelhos para transmitir dados em vez de ondas de rádio, como o Wi-Fi.
Na busca por redes mais rápidas, seguras e menos congestionadas, o Li-Fi promete ser até 100 vezes mais rápido que o Wi-Fi. Nova tecnologia utilizaria a maior velocidade conhecida pelo homem, a velocidade da luz, como meio de propagar informação em escala jamais vista.
Como funciona o Li-Fi
O funcionamento básico é simples de entender: uma fonte de luz, como um LED, recebe dados da rede e varia sua intensidade luminosa em altíssima velocidade. Essas oscilações carregam informações digitais em códigos, como os zeros e uns usados em qualquer transmissão de dados.
Do outro lado, um receptor óptico, geralmente um fotodiodo, capta essas pequenas variações de luz e as converte novamente em sinal elétrico. Para o usuário, a lâmpada parece acesa normalmente; para o aparelho compatível, ela funciona como um ponto de acesso.
Entre as vantagens mais citadas estão a baixa interferência eletromagnética e a segurança física. Como a luz não atravessa paredes como as ondas de rádio, o sinal tende a ficar confinado ao ambiente iluminado, o que pode reduzir riscos de interceptação externa.
Essa mesma característica também é uma limitação. O Li-Fi depende de alcance óptico, linha de visada ou reflexão suficiente. Se o receptor ficar em sombra, se afastar demais ou não tiver o componente adequado, a conexão pode perder desempenho (Foto: Syced / Wikimedia Commons)Qual é o estado atual da tecnologia
O Li-Fi já passou da fase experimental, mas ainda não chegou ao nível de popularização do Wi-Fi. Dispositivos com essa tecnologia já possuem a aprovação do padrão IEEE 802.11bb, porém sua aplicação é nichada.
Os principais setores que utilizam Li-Fi são aqueles em que as redes Wi-Fi tradicionais apresentam problemas. Seja por interferência nas ondas de rádio, como em hospitais, ou em locais de alta segurança, como bases militares ou governamentais.
Há produtos comerciais no mercado voltados a aplicações específicas. A Signify, por exemplo, oferece a linha Trulifi, solução Li-Fi para locais em que redes sem fio tradicionais falham, com conexão bidirecional, baixa latência e segurança física.
Segundo a Signify, o sistema Trulifi 6004 recebeu validação FIPS 140-3, padrão criptográfico associado ao NIST, reforçando o foco da tecnologia em aplicações sensíveis e corporativas (Foto: Divulgação / Signify)A pureLiFi também trabalha em módulos para integrar a tecnologia a dispositivos conectados. A empresa apresentou o Light Antenna ONE como um componente pensado para permitir Li-Fi em aparelhos como notebooks, smartphones e outros equipamentos, mas isso ainda depende da adesão da indústria.
O estudo mineiro que testa internet pela luz
No Brasil, um dos exemplos mais interessantes vem de Minas Gerais. O Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, pesquisa sistemas de comunicação por luz visível, conhecidos pela sigla VLC, no Laboratório WOCA, dedicado a tecnologias convergentes sem fio e ópticas.
Em material institucional, o Inatel afirma que pesquisadores do laboratório conseguiram transmissões usando um padrão pré-estabelecido para redes de quinta geração, com velocidades de até 20 Gbps para o usuário final.
O ponto técnico mais importante é que o estudo mineiro trata de VLC, ou comunicação por luz visível, uma tecnologia semelhante e diretamente relacionada ao Li-Fi. Segundo a instituição, os testes já miram aplicações em 6G.






