No coração de São Paulo, a Galeria do Rock é mais do que um centro comercial: é um dos endereços que ajudam a contar a história cultural e urbana da cidade. Entre os corredores, lojas e vitrines, o visitante encontra uma atmosfera marcada pela música, moda e pela diversidade, em um espaço que há décadas reúne diferentes tribos e expressões de estilo. Para quem circula pelo centro paulistano, a visita é uma oportunidade de conhecer um dos símbolos de identidade cultural da capital.
O passeio ganha ainda mais personalidade para quem é apaixonado por música e pelo universo das tatuagens e piercings. A galeria reúne estabelecimentos voltados a diferentes estilos e manifestações da cultura urbana, fazendo do local um ponto de encontro para quem busca referências e novas experiências. Caminhar por andares é mergulhar em um universo de sons, imagens e estilos que transforma uma simples visita ao centro de São Paulo em um mergulho a esse universo cultural.
Em entrevista exclusiva à Gazeta de São Paulo, o presidente da Galeria do Rock, Antonio de Souza Neto, o Toninho, não deu detalhes, mas confirmou investimentos para o rooftop, cujo espaço oferece música ao vivo, gastronomia, bar e visão panorâmica do centro paulistano no quinto andar do edifício.

A confirmação do projeto de mudança no rooftop da Galeria do Rock
“Desde o nosso início de trabalho, sempre pensamos quatro ou cinco anos para frente. Hoje nós estamos no auge do nosso trabalho no rooftop, mas estamos com um projeto para transformar tudo aquilo. Os meus sonhos ainda continuam e estamos com projetos magníficos”, ressaltou.
O espaço conseguiu a façanha de atrair visitantes de diferentes perfis, ou seja, turistas nacionais e internacionais, que estão interessados em vivenciar a cultura urbana brasileira de forma única. Eventos, ativações e iniciativas culturais são recorrentes e ainda conciliam o lado comercial.
“Eu costumo falar que a Galeria do Rock é um ‘Woodstock permanente’. A vida passa, as mídias se transformam, mas o rock n’ roll na veia das pessoas continua. É mais do que turismo e é uma referência cultural. É isso que permeia a emoção de pertencimento que conseguimos levar em toda nossa história”, pontua.

A região central como aliada de mudança
Sente saudade da época do cinema de rua e diversas atrações culturais no centro paulistano? Está aí mais uma oportunidade de reviver em breve. Toninho fez viagens internacionais para compreender o processo e quer contribuir para esse trabalho de resgate.
“Eu conheci Soho (bairro tradicional do centro de Londres) e o Piccadilly Circus em 2018 e sonhava em fazer isso no entorno da galeria, mas não havia saído da minha cabeça. Sempre me preocupei em resgatar essa identidade paulistana. Agora estamos com esses projetos para daqui dois ou três anos fazer aquilo que chamamos na década de 40 a “Cinelândia paulistana”.
Na sequência, Toninho revelou que conta com apoio de investidores e, ainda, admitiu que há um trabalho no Copan, edifício situado na Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, que visa à reformulação de um cinema que estava desativado há mais de 30 anos.
“Esses investidores compraram a nossa ideia e fizeram uma peça de trabalho magnífica, que culminou com lotação total. Todos os sábados com duas sessões lotadas com a peça clássica Hamlet, de William Shakespeare. Você vê a necessidade de consumir cultura e temos potencial. Veremos a região do Largo do Paissandu transformada daqui cinco anos”, disse.
Breve histórico
Projetada no ano de 1963 pelo arquiteto paulistano Alfredo Mathias, Toninho administra a Galeria desde 1º de abril de 1993 e mantém o rock como elemento principal, que é capaz de dialogar com outros segmentos, exemplos: hip-hop, skate e a arte urbana. “A cultura é referência para uma sociedade organizada. A Galeria do Rock agrega valor cultural ao espaço que era meramente comercial”, encerra.

