Cientistas acabam de mostrar que dados antigos ainda podem render grandes descobertas. Ao reanalisarem registros da sonda Magellan, da NASA, coletados nos anos 1990, pesquisadores confirmaram a existência da primeira caverna vulcânica de Vênus.
O achado foi divulgado na revista Nature Communications em fevereiro e chamou a atenção da comunidade científica por revelar uma estrutura subterrânea de grandes proporções no planeta.
Estrutura e localização do achado
A cavidade está situada na encosta oeste de Nyx Mons, um extenso vulcão em escudo que se estende por centenas de quilômetros na superfície venusiana.
Os pesquisadores Leonardo Carrer, Elena Diana e Lorenzo Bruzzone, da Universidade de Trento (Itália), identificaram o local ao reinterpretar imagens de radar capturadas entre 1990 e 1992.
A confirmação foi possível graças a um fenômeno chamado claraboia, que ocorre quando parte do teto de um tubo de lava colapsa. Nesse caso, o radar revelou um espaço vazio horizontal que se projeta abaixo da superfície.
Dimensões e geologia venusiana
O sistema subterrâneo tem cerca de um quilômetro de diâmetro e pode alcançar até 45 quilômetros de extensão total. A estrutura é muito maior do que as cavernas encontradas na Lua, em Marte ou na própria Terra.
Esses túneis se formam quando a camada superior da lava basáltica esfria e solidifica, criando uma crosta isolante. Quando o fluxo de magma cessa, permanece apenas uma galeria oca de proporções impressionantes.
Mesmo um dos maiores tubos de lava terrestres, a Cueva de los Verdes, na Espanha, é significativamente menor do que a estrutura identificada em Vênus.
Fenômenos semelhantes já foram estudados em análises sobre mudanças na atmosfera e no futuro do oxigênio na Terra, que também envolvem transformações profundas em ambientes planetários.
Influência do ambiente na formação
Além de se tratar de um planeta extremamente quente, a gravidade mais baixa e a atmosfera extremamente densa de Vênus favorecem a formação de espaços internos mais amplos e estáveis do que os encontrados na Terra.
Essas condições tornam os tubos de lava venusianos mais resistentes e duradouros. A resolução limitada das imagens antigas sugere que outras cavernas semelhantes podem ter passado despercebidas.
Segundo os pesquisadores, “os resultados deste artigo também são de interesse para futuras missões a Vênus, como a EnVision e a VERITAS”.
Em comunicado, eles declararam que essas naves terão “um radar orbital de penetração no solo capaz de alcançar várias centenas de metros de profundidade”. A tecnologia permitirá investigar tubos de lava intactos, inclusive aqueles sem pontos visíveis de colapso na superfície.
A descoberta reforça a importância de estudar outros mundos rochosos e amplia o debate sobre condições para abrigar vida fora da Terra.



