TDAH: qual o impacto do aumento dos casos nos últimos anos

Com cada vez mais casos registrados, o transtorno passou a ser mais conhecido e receber a atenção adequada

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção - ABDA, o número de casos de TDAH variam entre 5% e 8% a nível mundial

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção - ABDA, o número de casos de TDAH variam entre 5% e 8% a nível mundial | Freepik

Cada vez mais recorrente no cotidiano, o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), registrou um aumento de cerca de 4% entre 1997 a 2016.

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção – ABDA, o número de casos de TDAH variam entre 5% e 8% a nível mundial. Estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam outra comorbidade e pelo menos 10% apresentam três ou mais comorbidades.

Com cada vez mais casos registrados, o transtorno passou a ser mais conhecido e receber a atenção adequada, principalmente em comparação com as dificuldades apresentadas no dia a dia.

O que é o TDAH

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica de origem genética que se manifesta na infância e acompanha com frequência o indivíduo por toda vida.

Adultos com TDAH acabam enfrentando mais dificuldades na organização e produtividade, como problemas em gerenciar o tempo, manter a concentração em tarefas longas, e seguir planos e rotinas. A desorganização pode levar a atrasos e a uma sensação constante de estar sobrecarregado. 

Primeiro registro do TDAH

A primeira vez que o TDAH apareceu no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), a “bíblia da psiquiatria”, foi no final da década de 1980.

Com o passar dos anos, enquanto o mundo passava por transformações econômicas, políticas e sociais, o número de casos de TDAH explodiu. Em um período de 20 anos, subiu de 6,1% (entre 1997 e 1998) para 10,2% (entre 2015 e 2016), segundo pesquisas.

Manifestações do TDAH na vida adulta

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), 5,2% dos adultos entre 18 e 44 anos e 6% dos adultos com mais de 45 anos têm TDAH.

Em adultos, a condição pode se manifestar de maneiras variadas. Mesmo que seja o mesmo transtorno, as pessoas podem apresentar um conjunto próprio de sintomas:

  • Dificuldade em manter a atenção;
  • Comportamento impulsivo;
  • Desorganização;

Podem estar presentes também:

  • Problemas de memória e;
  • Dificuldade em seguir instruções.

O que compromete o desempenho acadêmico, profissional e pessoal.

Impactos e desafios do diagnóstico tardio

Quanto mais tardio o diagnóstico, mais desafiador fica a compreensão, pois seus sintomas muitas vezes são confundidos com transtornos como ansiedade e depressão. Além disso, muitos adultos desenvolvem estratégias compensatórias que podem mascarar o transtorno, dificultando sua identificação.

“Experimentar estes prejuízos de forma recorrente pode gerar sintomas ansiosos e depressivos que podem inclusive evoluir e se configurarem em um diagnóstico associado ao TDAH. Adultos com TDAH ainda podem lançar mão de estratégias compensatórias disfuncionais, utilizando substâncias psicoativas que diminuam o processamento de ideais como o álcool e a cannabis ou que ajudem na concentração como psicoestimulantes. Muitas vezes são estes quadros associados que fazem a pessoa buscar a ajuda do profissional de saúde mental”, esclarece o psiquiatra do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf/Ebserh) e mestre em psicologia, Godson Teixeira, ao site do Gov.BR. 

É importante que seja feita uma avaliação criteriosa de um profissional capacitado para um diagnóstico preciso. A realização de testes especializados com neuropsicólogos também ajuda no rastreio completo das funções cognitivas, da personalidade e demais características que serão avaliadas, permitindo um tratamento mais adequado.

Desafios no dia a dia

O TDAH pode afetar o desempenho profissional e a estabilidade emocional.

No ambiente de trabalho, pode se manifestar por dificuldades em cumprir prazos, manter a produtividade e organizar tarefas.

Já nos relacionamentos, a impulsividade, os esquecimentos frequentes e a dificuldade em manter a atenção em conversas podem gerar conflitos e mal-entendidos.

“Diferenciar distração ocasional do TDAH envolve observar a persistência e a gravidade dos sintomas. Enquanto qualquer pessoa pode se distrair eventualmente, indivíduos com TDAH enfrentam distração constante e significativa, que interfere diretamente em suas atividades diárias”, acrescenta Godson Teixeira.

Maneiras de tratamento

O tratamento do TDAH na vida adulta pode incluir medicamentos, terapia comportamental e mudanças no estilo de vida. O uso de estimulantes também pode ajudar no foco, atenção e reduzir a impulsividade, mas sua prescrição deve ser feita exclusivamente por um profissional de saúde.

“Essas medicações não devem ser utilizadas com o propósito de melhorar a performance cognitiva de pessoas sem diagnóstico. Seu uso precisa ser individualizado, levando em consideração o histórico de cada paciente”, alerta o especialista.

Além de medicamentos e tratamentos, a prática regular de exercícios físicos e outros hábitos saudáveis também contribuem para uma melhora no quadro.

Segundo consta no site oficial do Gov.BR, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para adultos com TDAH, ajudando a desenvolver estratégias para organização, gestão do tempo e resolução de problemas.

Além disso, a psicoterapia pode fortalecer a autoestima e minimizar o impacto dos sintomas no trabalho e nos relacionamentos. Também, podem ser feitos testes diagnósticos com profissionais habilitados (psiquiatras e neuropsicólogos) podem indicar a presença dos sintomas que caracterizam o transtorno.