O que antes podia levar até 1h20 por terra agora pode ser feito em cerca de 17 minutos de barco. Em uma cidade conhecida pelos congestionamentos, São Paulo incorporou um meio de transporte pouco comum para uma metrópole: embarcações que cruzam a Represa Billings e já transportaram mais de 1,1 milhão de passageiros desde o início da operação.
Batizado de Aquático SP, o sistema entrou em funcionamento em maio de 2024 e se tornou o primeiro transporte hidroviário público da capital paulista. Integrado ao Bilhete Único, ele utiliza a Represa Billings como corredor de transporte público, ligando os terminais Parque Linear Cantinho do Céu e Parque Mar Paulista – Bruno Covas.
Atualmente, seis embarcações operam diariamente no sistema. Somente em abril deste ano, foram registrados mais de 61 mil embarques.
De até 1h20 para 17 minutos
Ao utilizar a Billings como corredor de transporte público, o Aquático SP reduziu trajetos que chegavam a 1h20 para cerca de 17 minutos. A mudança é percebida diretamente por quem utiliza o serviço todos os dias.
Morador do Cantinho do Céu, no extremo Sul da capital, João Gabriel Freitas, de 25 anos, trabalha na região do Morumbi e afirma que a rotina mudou completamente após a implantação do modal.
“Antes eu ia de ônibus até o Terminal Grajaú e depois pegava o trem. Demorava entre uma hora e uma hora e meia. Agora, com o barco, levo cerca de 20 a 30 minutos até a integração”.
Segundo ele, a economia de tempo vai além do deslocamento diário.
“Dá mais de uma hora a menos no dia. Agora consigo descansar mais, comer com calma, tomar um café. É bem menos correria e a gente vai trabalhar até com mais disposição”.
Mudança também chegou ao comércio
Além dos impactos na mobilidade, o Aquático SP alterou a dinâmica econômica da região. Próximo ao terminal hidroviário, comerciantes relatam aumento na circulação de pessoas desde o início da operação.
Proprietário do Bar Brilho do Sol, João Milton Inácio Pereira, de 59 anos, afirma que o novo modal transformou o movimento no bairro.
“Aumentou o movimento e melhorou muito para a população. Quem demorava mais de uma hora no trajeto agora faz em meia hora. Isso movimenta o bairro e traz mais gente para a região.”
Segundo ele, o sistema também atrai visitantes de diferentes partes da cidade.
“Está vindo gente de toda a cidade para conhecer. Isso ajuda o comércio, gera mais movimento e até oportunidades de trabalho.”
A avaliação positiva do serviço também aparece entre os passageiros. Pesquisa da SPTrans aponta índice de aprovação de 90,3%, com destaque para a limpeza das embarcações (97,5%) e o conforto durante as viagens (93,7%). Mais de 92% dos usuários afirmam que recomendariam o modal.
Expansão para outras regiões
Com mais de 1,1 milhão de passageiros transportados desde o início da operação, a Prefeitura de São Paulo pretende ampliar o modelo hidroviário para outras regiões da cidade.
Entre os objetivos estão a implantação do Aquático SP na Represa Guarapiranga e a ampliação das rotas na Billings, na região do Apurá.
A expansão poderá beneficiar diretamente moradores de bairros como Grajaú, Pedreira, Jardim Ângela e Cidade Dutra
Billings concentra novos projetos de mobilidade
Além de servir como corredor para o transporte hidroviário, a Represa Billings será palco de uma das principais obras viárias em andamento na capital. A Prefeitura de São Paulo constrói a ligação viária Graúna–Gaivotas, que inclui uma ponte de 960 metros de extensão sobre a represa e promete reduzir de cerca de uma hora para aproximadamente 20 minutos o deslocamento entre os bairros Jardim Graúna e Jardim Gaivotas.
Com investimento estimado em R$ 450 milhões, o projeto prevê ainda ciclovia, novas paradas de ônibus, integração com a Linha 9–Esmeralda e o Terminal Grajaú, além de melhorias para motoristas, ciclistas e pedestres. A conclusão da obra está prevista para 2028.
