Em Amsterdã, na Holanda, cerca de 45% da população utiliza bicicletas para ir até o trabalho, de acordo com levantamento da Federação Europeia de Ciclistas (ECF). Nem sempre foi assim, porém.
Entre as décadas de 1950 e 1960, a cidade seguia a mesma tendência de muitas metrópoles ocidentais: expansão do uso do carro, demolição de bairros históricos para abrir vias rápidas e aumento do trânsito.
A transformação aconteceu por uma combinação de crise urbana, pressão popular e planejamento público de longo prazo.
Naqueles anos, as ruas foram adaptadas para carros e canais chegaram a ser aterrados para criar estacionamento. Com isso, o número de acidentes cresceu drasticamente.
Nos anos 1970, milhares de pessoas morriam no trânsito por ano nos Países Baixos, incluindo muitas crianças. Um movimento decisivo para mudar o cenário foi o “Stop de Kindermoord” (“Parem o assassinato de crianças”), criado após mortes de crianças no trânsito.
Pais, urbanistas e ativistas começaram a exigir ruas mais seguras. redução da velocidade, prioridade para pedestres e ciclistas e menos carros nos centros urbanos.
Ao mesmo tempo, a crise do petróleo de 1973 tornou o carro mais caro e fortaleceu alternativas de mobilidade.
Investimentos na bicicleta
A mudança não veio apenas da cultura, mas também da infraestrutura.
As autoridades começaram a construir ciclovias segregadas e cruzamentos protegidos. Também passou a haver estacionamentos grandes para bicicletas e integração com transporte público. Os bairros passaram a ser desenhados para desestimular carro.
Hoje, o sistema de bicicletas de Amsterdã é o mais eficiente do mundo, com mais de 920 quilômetros de ciclovia e cerca de 881 mil bicicletas na cidade. Pedalar continua sendo o principal meio de locomoção diária, superando os carros em volume de tráfego.






