Júri do caso Henry Borel começa nesta segunda, no Rio, após cinco anos do crime

Jairinho e Monique Medeiros são julgados por homicídio qualificado, tortura e fraude processual

Cinco anos depois, júri de Henry Borel começa e reacende comoção nacional

Cinco anos depois, júri de Henry Borel começa e reacende comoção nacional | Reprodução/Redes sociais

Cinco anos após a morte do menino Henry Borel, o caso volta ao centro das atenções com o início do júri popular nesta segunda-feira (23/3), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

O julgamento começa às 9h e vai analisar as acusações contra o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros da Costa e Silva.

Réus respondem por crimes graves

Os dois são acusados de:

  • Homicídio triplamente qualificado
  • Tortura
  • Fraude processual

Ambos estão presos e aguardam o julgamento. As defesas negam as acusações.

Acusação e defesa divergem

Segundo o Ministério Público, Jairinho foi responsável pelas agressões que levaram à morte da criança, enquanto Monique teria se omitido.

O promotor Fábio Vieira sustenta que a versão apresentada desde o início da investigação se manteve consistente ao longo do processo.

Já as defesas contestam essa narrativa. A equipe de Jairinho questiona laudos periciais e afirma que o menino não morreu em decorrência de agressões.

A defesa de Monique, por sua vez, afirma que ela não tinha conhecimento das supostas agressões e nega omissão.

Pedido pode adiar julgamento

Às vésperas do júri, a defesa de Jairinho solicitou à Justiça a transferência do julgamento para outra cidade, alegando que a repercussão do caso pode comprometer a imparcialidade dos jurados.

O pedido inclui a suspensão do julgamento, mas ainda será analisado.

Testemunha-chave não foi localizada

Outro ponto de atenção é o desaparecimento de uma testemunha considerada importante: a babá Thayná de Oliveira Ferreira.

Ela não foi encontrada para intimação até a véspera do julgamento. Ao longo da investigação, apresentou versões diferentes sobre o caso.

Para o Ministério Público, no entanto, a ausência não deve comprometer o júri, já que os depoimentos estão registrados no processo.

Pai pede resposta exemplar

Pai de Henry e assistente de acusação, o vereador Leniel Borel afirmou esperar uma decisão que sirva de exemplo.

“Precisa ser uma resposta para o País, para que outros agressores pensem antes de cometer violência contra uma criança”, disse.

Julgamento sem prazo para terminar

O júri não tem duração definida. Cada lado poderá apresentar até sete testemunhas ao longo das sessões.

Relembre o caso

Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021, após ser levado ao hospital no Rio de Janeiro.

Inicialmente, foi alegado que a criança havia sofrido um acidente doméstico. No entanto, laudos apontaram hemorragia interna causada por ação violenta, além de diversas lesões pelo corpo.

As investigações concluíram que o menino foi vítima de agressões, o que levou à denúncia contra Jairinho e Monique.

O caso teve grande repercussão nacional e motivou a criação da chamada Lei Henry Borel, voltada à proteção de crianças vítimas de violência.