Delação do fim do mundo de Daniel Vorcaro pode abalar a cúpula do poder em Brasília

Com acesso livre à Corte, nova defesa de Vorcaro tenta equilibrar termos entre PF e PGR; especialistas alertam para "turbulência" com possíveis nomes da alta hierarquia.

Possível colaboração premiada de Daniel Vorcaro ganhou apelido de 'delação do fim do mundo'

Possível colaboração premiada de Daniel Vorcaro ganhou apelido de 'delação do fim do mundo' | Reprodução/Esfera Brasil

A mudança estratégica na banca de advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acendeu o sinal de alerta máximo na cúpula do poder em Brasília. Descrita por interlocutores como a “delação do fim do mundo”, a iminente colaboração premiada do empresário promete revelar detalhes sensíveis das relações entre o sistema financeiro e os Três Poderes.

A estratégia por trás da nova defesa

O novo responsável pelo caso é Luís Oliveira Lima, o “Juca”. O criminalista traz no currículo casos midiáticos de grande repercussão, como a delação do empreiteiro Léo Pinheiro (OAS) na Operação Lava Jato. Juca possui trânsito rotineiro no Supremo Tribunal Federal, o que deve facilitar a interlocução com o relator do caso na Corte, o ministro André Mendonça.

Para que a delação seja viável juridicamente, ela depende do aval do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e da homologação pelo relator. O rito envolve negociações complexas entre os Poderes. Diante de um dos maiores escândalos recentes no país — com menções a magistrados do próprio STF em investigações da Polícia Federal —, a Corte já se prepara para as turbulências que podem vir à tona.

Para o advogado criminalista Luan Pereira, do escritório Alan Januário Advogados, o peso de uma homologação vai além do financeiro. Questionado sobre o que valida um acordo desse porte, ele afirma que, “na prática, revelar nomes no topo da hierarquia pesa mais que apenas devolver dinheiro, especialmente quando há risco de abalo institucional entre os Poderes”.

A rede de influência de Vorcaro

O que confere um tom de alta voltagem a essa colaboração é a densa rede de influência tecida pelo dono do Master ao longo dos anos. As investigações miram conexões que cruzam diversas esferas: de servidores da alta administração e parlamentares a líderes partidários e figuras do Judiciário.

O monitoramento do caso já lançou luz sobre a proximidade com integrantes da cúpula do STF, citando nominalmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No tabuleiro de Brasília, a leitura predominante é de que a profundidade das revelações dependerá de “quem segurar a caneta” no acordo.

Existe a percepção de que uma negociação capitaneada pela Polícia Federal teria um apetite por desdobramentos mais extensos, enquanto interlocutores avaliam que um acordo via PGR poderia resultar em um escopo mais delimitado.

Provas materiais: o pilar da colaboração

Luan Pereira destaca ainda que, para ser efetiva, a delação de Vorcaro precisa, obrigatoriamente, de provas materiais, como documentos, extratos e mensagens.

“Depoimento sozinho não sustenta condenação, mas serve para abrir investigações. Em termos práticos, uma colaboração será considerada efetiva quando contribuir para a produção de provas autônomas, a identificação de outros envolvidos e a recuperação de ativos”, conclui o advogado.