Água da chuva muda a rotina no campo e amplia segurança hídrica familiar

Com mais de 121 mil tecnologias sociais entregues desde 2023, Programa Cisternas avança no combate à escassez de água e fortalece o campo

Programa amplia acesso à água e beneficia comunidades vulneráveis em diferentes regiões do país (Foto: Samabairamova, Pexels)

Em regiões onde a seca ainda compromete o abastecimento e a qualidade de vida das famílias, o Programa Cisternas voltou a ganhar escala nos últimos anos.

Desde 2023, já foram entregues 121.240 tecnologias sociais de acesso à água, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

A iniciativa utiliza sistemas de captação e armazenamento da água da chuva para garantir abastecimento em áreas sujeitas a longos períodos sem chuva.

Criado em 2003, o programa passou por uma nova fase de expansão após a retomada dos investimentos federais. Antes concentrada principalmente no Semiárido nordestino, a política pública agora alcança também comunidades vulneráveis da Amazônia, de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul.

Novo PAC amplia investimentos para levar água a comunidades rurais

A ampliação do programa integra as ações do Novo PAC voltadas à segurança hídrica. Desde a retomada dos investimentos, o governo federal já contratou cerca de 190 mil cisternas e outras tecnologias de acesso à água.

A meta é alcançar 219 mil unidades nos próximos anos, com investimento estimado em R$ 1,7 bilhão. A estratégia busca reduzir a dependência de fontes instáveis de abastecimento e ampliar o acesso à água em localidades rurais sujeitas à escassez ou à contaminação.

O atendimento prioriza famílias inscritas no Cadastro Único, com atenção especial a povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais.

Acesso à água gera efeitos na renda e na saúde das comunidades

Os resultados observados vão além do abastecimento doméstico. Estudos do Instituto da Economia do Trabalho indicam que a instalação das cisternas contribuiu para mudanças significativas nas condições socioeconômicas de diversas comunidades do Semiárido.

A pesquisa mostra redução de 30,4% no número de famílias dependentes do Bolsa Família na região. Na área da saúde, asinternações associadas a infecções e doenças relacionadas à qualidade da água apresentaram queda de 16%, após a implantação dos reservatórios.

A disponibilidade de água próxima às residências também reduz o tempo que é gasto na busca por fontes de abastecimento, permitindo que moradores dediquem mais horas a atividades produtivas, capacitação profissional e geração de renda.

Produção de alimentos fortalece permanência das famílias no campo

Para muitas famílias rurais, a cisterna representa muito mais do que uma reserva de água. O equipamento cria condições para o cultivo de alimentos, a criação de pequenos animais e a manutenção de atividades produtivas mesmo durante períodos de estiagem prolongada.

O MDS destaca que o acesso regular à água potável favorece a autonomia econômica das comunidades e cria condições para que mais famílias continuem vivendo no campo. Em muitas localidades, a tecnologia se tornou um instrumento essencial para garantir segurança alimentar e estabilidade financeira.

Com a expansão do programa e o aumento dos investimentos públicos, as cisternas seguem desempenhando papel central na adaptação de comunidades vulneráveis aos desafios impostos pela escassez hídrica e pelas mudanças climáticas.