A eleição para a Presidência da República em 2026 será a primeira deste século sem mulheres nas chapas dos partidos com representação no Congresso Nacional. O cenário marca uma mudança em relação às últimas disputas, quando ao menos uma candidata concorria ao Palácio do Planalto ou ocupava a vaga de vice em uma chapa considerada competitiva.
Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que, desde 2002, mulheres estiveram presentes nas principais chapas presidenciais em todas as eleições. Em 2026, porém, as candidaturas femininas confirmadas até o momento estão concentradas em partidos sem representação no Congresso.
A definição de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de Flávio Bolsonaro (PL), anunciada na quarta-feira (5/8), consolidou o cenário exclusivamente masculino entre as principais candidaturas. Os seis nomes que aparecem à frente nas pesquisas recentes também são homens e têm homens como companheiros de chapa.
Ao todo, 13 candidaturas já foram confirmadas para a eleição presidencial. Entre elas, quatro chapas são encabeçadas por mulheres, mas nenhuma pertence a uma legenda com representação no Congresso Nacional.
Veja as chapas presidenciais de 2026
Até o momento, as chapas confirmadas são:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) + Geraldo Alckmin (PSB );
- Flávio Bolsonaro (PL) + Alfredo Gaspar (PL);
- Ronaldo Caiado (PSD) + Gilberto Kassab (PSD);
- Renan Santos (Missão) + Aroldo Medina (Missão);
- Romeu Zema (Novo) + Eduardo Girão (Novo);
- Augusto Cury (Avante) + Júlio Delgado (Avante);
- Leonardo Avalanche (PRTB) + Tenente Dalma (PRTB);
- Samara Martins (UP) + Raquel Brício (UP);
- Edmilson Costa (PCB) + Cleusa Santos (PCB);
- Rui Costa Pimenta (PCO) + Antônio Carlos Silva (PCO);
- Hertz Dias (PSTU) + Vanessa Portugal (PSTU);
- Clariana Barão (DC) + Fabiana Torquato (DC);
- Wilson Grassi (Democrata) + vice ainda não definido.
O quadro representa uma diferença importante em relação às eleições anteriores. Desde 2002, pelo menos uma mulher esteve em uma chapa de um partido considerado competitivo, seja como candidata à Presidência ou como vice.
Como foi a participação feminina nas últimas eleições
Em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a eleição presidencial, 13 candidaturas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os partidos com maior competitividade, três lançaram mulheres em suas chapas.
Simone Tebet (MDB) disputou a Presidência com Mara Gabrilli (PSB) como vice. Ciro Gomes (PDT) teve Ana Paula Matos (PDT) na chapa, enquanto Soraya Thronicke (União Brasil) concorreu ao Planalto com Marcos Cintra (União Brasil).
Em 2018, Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente. Naquele pleito, Marina Silva (Rede) concorreu diretamente à Presidência, enquanto outras chapas de partidos competitivos também tiveram mulheres como vice.
Entre elas estavam Ciro Gomes (PDT) e Kátia Abreu (PDT); Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila; Geraldo Alckmin (PSDB) e Ana Amélia Lemos (PP); além de Guilherme Boulos (PSOL) e Sonia Guajajara.
Mulheres também estiveram presentes em 2014, 2010, 2006 e 2002
Em 2014, Dilma Rousseff (PT) foi reeleita para a Presidência. Além dela, Luciana Genro (PSOL) e Marina Silva (PSB) participaram da disputa por partidos com representação no Congresso.
Já em 2010, Dilma fez história ao se tornar a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Naquele ano, ela também era a única mulher presente em uma chapa de um partido com representação no Congresso Nacional.
Em 2006, oito candidaturas à Presidência foram registradas no TSE. Heloísa Helena (PSOL) concorreu ao cargo, enquanto Ana Maria Rangel também disputou a eleição.
Na primeira eleição presidencial deste século, em 2002, o PSDB foi o único entre os partidos competitivos a apresentar uma mulher em sua chapa. José Serra concorreu à Presidência com Rita Camata como vice.
O cenário de 2026, portanto, interrompe uma sequência de seis eleições presidenciais em que mulheres estiveram presentes nas principais chapas. A ausência feminina nas candidaturas dos partidos com representação no Congresso torna o atual pleito um caso inédito desde o início dos anos 2000.
