O empresário Pablo Marçal (PRTB), derrotado no primeiro turno à Prefeitura de São Paulo, entrevistou nesta sexta-feira (25/10) o candidato Guilherme Boulos (PSOL). O prefeito Ricardo Nunes (MDB) foi convidado, mas não topou participar.
O clima de boa parte da “entrevista de emprego”, como Marçal batizou a sabatina (ele está em Roma, na Itália), foi tenso, mas respeitoso. O ex-candidato do PRTB garantiu que evitaria “lacrações”.
“Vai ser muito respeitoso. Vai ser uma entrevista para ser gerente de um negócio, gerente da capital mais importante do Brasil”, disse Marçal, no início. A live chegou a cerca de 450 mil espectadores ao vivo.
“Parabéns ao Boulos por ter tido coragem [de topar a entrevista]”, completou o empresário. O convite havia sido feito na última quarta (25/10).
Boulos ‘sem risadinha’
Boulos, com uma aparência séria, afirmou que topou conversar porque “não foge de debates”. Ele está atrás das pesquisas na Capital.
“Alguns apoiadores meus me criticaram por aceitar, como apoiadores seus te criticaram. Mas eu não me movo por mágoa e nem por ressentimento. Me movo por um propósito”, disse o psolista.
Durante a conversa, Marçal questionou o parlamentar sobre empreendedorismo e prosperidade. Boulos respondeu que durante os governos do presidente Lula (PT) os empresários ganharam muito dinheiro, e que não considera prosperidade apenas ficar rico.
“Professor é uma profissão que não dá dinheiro, mas faz por convicção, por acreditar. Eu me considero uma pessoa próspera trabalhando como professor”, afirmou.
Caso Janones
Questionado por que votou a favor do deputado André Janones (Avante-MG) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, num caso de acusação de rachadinha contra o parlamentar mineiro.
O psolista se defendeu dizendo que foi estudar os precedentes no Conselho de Ética, e que teve que manter coerência.
“Tinha no Conselho da Câmara vários casos deputados que eram suspeitos de uma série de crimes e que não foram sequer julgados pelo conselho porque isso aconteceu antes da atual legislatura. Se esse era o critério. pau que bate em Chico tem que bater em Francisco. Não pode haver diferenciação. Eu não absolvi o Janones”, se justificou.
Falta de apoio a Nunes
Marçal disse que é cobrado para declarar apoio a Nunes, mas que pretende se manter isento. “O cara não se dá conta de vir numa entrevista. Ponham a mão na consciência”, explicou.
‘Guilherme e Pablo’
Marçal também afirmou que deve polarizar com Boulos nos próximos 30 anos.
“Assim como tem Lula e Bolsonaro, vai ter um tal de Marçal e Boulos pelos próximos 30 anos. É um sentimento que tenho”, disse. “Imagina 30 anos esse debate”, previu.
“Eu não sou filho de pai assustado”, respondeu Boulos, dizendo que está preparado para o que vier.
Jesus Cristo
Marçal questionou o parlamentar sobre a figura de Jesus Cristo. “Uma inspiração para todos nós que somos cristãos”, disse Boulos.
“Nunca falei de religião em campanha porque eu não acho que seja o caso. Tem muita gente que usa a religiosidade, a fé das pessoas para fazer jogo eleitoral, e eu nunca gostei disso. Mas sou batizado e crismado na igreja cristã ortodoxa”.
