Fraude do passado nas eleições brasileiras: o que era a ‘urna grávida’ e como ela funcionava para manipular resultados

Prática comum na época do voto em papel, a adulteração de urnas manuais foi um dos principais motivos para o desenvolvimento da urna eletrônica no Brasil

Urna grávida: um dos métodos de fraude eleitoral antes da invenção de urnas eletrônicas / José Cruz/Agência Brasil

Um dos métodos de fraude eleitoral praticados durante o período de votação manual, a “urna grávida” (ou “urna emprenhada”) era realizada com cédulas de papel e urnas de lona. A prática ocorria no sistema eleitoral brasileiro antes da implementação da votação informatizada.

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A manipulação do processo ocorria no manuseio físico das cédulas, na ausência de mecanismos eletrônicos de fiscalização no momento da abertura das seções.

Como funcionava o esquema da “urna grávida”

O mecanismo da “urna grávida” consistia na introdução de cédulas de papel previamente preenchidas dentro do recipiente antes ou durante o início do pleito:

  1. Inserção prévia: cabalas de fraudadores introduziam maços de cédulas com votos assinalados para determinados candidatos no interior da urna de lona antes da abertura oficial da votação.
  2. Diferença de contagem: ao final da votação, a quantidade de cédulas apuradas dentro da urna era superior ao número de eleitores que assinaram a lista de presença na seção.
  3. Validação fraudulenta: em muitos casos, a adulteração era acoberutada durante a apuração por meio da invalidação de votos legítimos ou do conluio de mesários e fiscalizações locais para equiparar o número de assinaturas ao total de papéis na urna.

Outras fraudes correlatas da época de votação em papel incluíam a substituição integral de urnas durante o transporte e o “mapismo” (alteração dos mapas e atas de apuração pelos contadores).

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Os perigos e impactos para a democria

A ocorrência sistemática de fraudes como a da “urna grávida” trazia sérios riscos ao sistema democrático:

  • Violação da volição popular: candidatos podiam ser eleitos sem o suporte real dos votos da população local.
  • Morosidade e suspeição: a apuração manual levava dias ou semanas, período em que o manuseio das urnas ampliava as oportunidades de adulteração do resultado.
  • Instabilidade institucional: a incerteza quanto à integridade das apurações gerava disputas judiciais frequentes e contestações quanto à legitimidade dos mandatários empossados.

A urna eletrônica e os mecanismos de prevenção

Para combater a “urna grávida” e outras distorções da votação manual, a Justiça Eleitoral brasileira desenvolveu a urna eletrônica.

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Atualmente, o procedimento inicial de emissão da Zerésima, um relatório impresso na própria seção eleitoral antes do início da votação que comprova a inexistência de votos registrados no equipamento, atua diretamente para impedir o equivalente eletrônico desse tipo de fraude