No primeiro mês de 2026, uma série de pré-candidatos das próximas eleições e outras lideranças políticas intensificaram gravações em agendas públicas de grupos adversários, o que, em geral, termina em confusão, para depois publicar o resultado nas redes sociais. O estilo foi popularizado pelo MBL na década passada, e se alastrou entre outras vertentes políticas.
Uma das situações recentes foi criada pelos vereadores Kleber Ribeiro de Guarulhos, e Eduarda Campopiano, de Praia Grande, ambos do PL, que foram à sede do sindicato paulista de professores (Apeoesp), com pés de galinha para criticar os baixos salários dos professores e o alinhamento da entidade à esquerda.
A situação causou gritaria e troca de acusações na instituição, no centro de São Paulo. Os sindicalistas disseram que a dupla invadiu o edifício, enquanto os parlamentares defenderam que “a porta estava aberta”, e que o protesto era legítimo. Afirmaram, também, que foram agredidos.
Até o fechamento deste texto, o vídeo publicado em conjunto pelos vereadores tinha 109 mil curtidas. Uma semana depois, a dupla se juntou à marcha do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), de Minas a Brasília, para protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre outras pautas alinhadas à direita.
Os vereadores fazem questão de destacar que não têm qualquer ligação com o MBL.
Pancadaria na USP
Em 8 de janeiro último, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, fez um ato para lembrar dos três anos dos atos antidemocráticos na sede dos Três Poderes e se posicionar contrariamente ao PL da Dosimetria. O ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil), que não conseguiu se reeleger em 2022 e nem conseguir uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo em 2024, foi ao local para gravar vídeos contrários à manifestação.
Ele foi ao local acompanhado do vereador paulistano Rubinho Nunes (também do União Brasil). O ato terminou em pancadaria generalizada e troca de acusações sobre quem começou a briga.
Outros influenciadores também tem a USP, principalmente a faculdade de Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP, como um dos alvos principais. Os manifestantes costumam rasgar faixas colocadas em espaços públicos a favor da esquerda e entrarem em discussões ríspidas com os estudantes.
Mais pancadaria no Sul
Em Porto Alegre, uma intervenção do influenciador de direita Klaus Hanisch Schuch, autointitulado “conservador, antipetista e de origem judaico-alemã”, terminou em pancadaria com apoiadores da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), após ele tentar se aproximar dela para questionar se o ex-presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, era um ditador.
Ele foi empurrado e, depois, agredido com um objeto por um dos seguidores da petista. O influenciador reagiu e a briga se estendeu pelo chão.
Foco nos flanelinhas
Um grupo tem se popularizado recentemente não por provocações a adversários, mas por expulsarem flanelinhas das ruas de São Paulo. Entre as personalidades de direita que fazem parte da intervenção estão Maria Gabriella Palumbo, conhecida como Gótica do MBL, e Gabriel Piauhy, também ligado ao movimento.
Pihauy já indicou que é pré-candidato a deputado estadual pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Esquerdista adotou estilo
O estilo é mais popular entre a direita, mas há lideranças de esquerda que adotaram o estilo provocativo em meio a agendas adversárias para gravar vídeos. Um deles é o vereador carioca Leonel Querino Neto.
Neste ano ele republicou uma série de vídeos em protestos conservadores para desmoralizar Jair Bolsonaro (PL). Não raro as intervenções dele terminam em momentos tensos com apoiadores do ex-presidente.
Os vídeos do tipo costumam trazer benefícios a quem os produz. Em São Paulo, a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) e o vereador Lucas Pavanato (PL) conquistaram uma cadeira na Câmara Municipal após usar o modelo por várias vezes. Leonel também se tornou vereador no Rio depois de conquistar fama pela tática.



