Lula x Flávio Bolsonaro: levantamento aponta contradições, números fiscais delicados e gargalos de gestão que os eleitores de cada lado preferem ignorar

Na disputa presidencial, tanto a trajetória do presidente Lula quanto a do senador Flávio Bolsonaro acumulam marcas incômodas que desafiam as narrativas triunfalistas

Os dois candidatos pedem ao eleitor um voto de confiança que os números não autorizam e que a Justiça não resolveu / Arte/Gazeta de S.Paulo/Marcelo Camargo/Agência Brasil/Gabriela Biló/Folhapress

Em um cenário político marcado pela polarização extrema, a narrativa das campanhas eleitorais costuma destacar virtudes e ocultar com cuidado os dados mais incômodos. Um levantamento minucioso sobre a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) revela contradições, números fiscais delicados, vulnerabilidades jurídicas e gargalos de gestão que os simpatizantes de cada lado preferem ignorar.

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De anulações de processos sem julgamento do mérito a indicadores sociais e econômicos desafiadores, os pontos cegos das duas candidaturas mostram que o debate pelo Palácio do Planalto exige olhar para além dos discursos oficiais.

O que cada lado não quer que você veja

O eleitor de Lula prefere não olharO eleitor de Flávio prefere não olhar
Lula não foi inocentado. O triplex prescreveu; Atibaia teve a denúncia rejeitada. Nenhum juiz disse que ele não fez.Flávio não foi inocentado. As provas da rachadinha foram anuladas por erro de competência; o conteúdo delas nunca foi examinado. O caso pode voltar.
402.220 homicídios em 2003-2010, e o país saiu mais violento do que entrou.2020, o ano da liberação das armas, foi o único de alta forte nos homicídios em dez anos. Mais armas não trouxe menos crime.
A “menor violência da história” de 2024 convive com 7.083 mortes sem causa definida (+88,6%), 6.602 mortos pela polícia e 1.571 feminicídios, todos recordes.A queda dos homicídios começou em 2018, antes de Bolsonaro, e continuou depois dele. O pico de queda (2019) veio antes de qualquer política federal ter efeito.
A dívida bruta subiu 11 pontos do PIB desde 2023, sem pandemia, com déficit primário em todos os anos. O Gini voltou a subir em 2025.O salário mínimo perdeu para a inflação em 2019-2022, único governo desde 2003 em que isso aconteceu. 2021 foi o pior ano de pobreza da série (36,8%), com 33 milhões em insegurança alimentar grave.
Lula 1 foi o governo que mais desmatou a Amazônia neste século.Bolsonaro levou o desmatamento ao maior nível desde 2006 (13.038 km² em 2021) e o país de volta ao Mapa da Fome (relatório da FAO de 2022).
Lula prendeu mais que qualquer presidente (+86%) e agora governa com 41% de ruim/péssimo, mais do que Bolsonaro ao sair (37%).Flávio tem 23 anos de mandato sem uma lei federal própria, patrimônio declarado que quase quintuplicou em oito anos, e uma casa financiada por um banco hoje sob investigação.
Lula terá 81 anos na posse, com uma cirurgia na cabeça (dez/2024) e um câncer de pele removido (abr/2026) nos últimos dois anos.Flávio nunca administrou nada: 23 anos de mandato legislativo e nenhum cargo executivo, nem uma secretaria.

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Os dois candidatos, segundo a “Crime Brasil“, exclusivo à Gazeta, pedem ao eleitor um voto de confiança que os números não autorizam e que a Justiça não resolveu. O que resta é o dado, e o dado diz que o País melhorou em homicídios, desemprego, pobreza e desmatamento ao longo dos últimos oito anos, sob dois governos opostos, por razões que nenhum deles controla sozinho, e piorou em dívida, mortes pela polícia, violência contra a mulher e desigualdade recente, sob o governo que pede mais quatro anos.

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Levantamento da Crime Brasil exclusivo à Gazeta

Os dados analisados fazem parte de um levantamento realizado pela plataforma Crime Brasil exclusivo à Gazeta. O objetivo não é induzir o eleitor a votar em um deles. Ela põe lado a lado, com fonte e data, o que a Justiça, o IBGE, o Ministério da Saúde, o Banco Central, o INPE, o TSE e os institutos de pesquisa registraram sobre os dois candidatos.