O esconderijo usado pelo padre José de Anchieta para compor versos à beira-mar vai dar lugar a um novo complexo turístico, com um mirante suspenso na Praia do Sonho, em Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo. A Praça da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, mesmo cinco séculos depois, continua a atrair visitantes com a sua paisagem deslumbrante.
O cartão-postal está sendo completamente remodelado para ser conectado ao Morro do Paranambuco, destino conhecido entre os turistas e moradores apaixonados pelo peso histórico da região.
Veja fotos da Praia do Sonho
Projeto segue a todo vapor no esconderijo do antigo padre jesuíta
Já em fase de obras, a Praça da Gruta passa por uma transformação, com o objetivo de incluir um espaço para apresentações artísticas, pequena arquibancada, área coberta, um novo Posto de Informações Turísticas e sanitários públicos. Também haverá rampas de acessibilidade, plantio de árvores, bancos, lixeiras, paisagismo e iluminação em LED.
O projeto é da Prefeitura de Itanhaém, por meio das secretarias de Turismo e Planejamento Urbano e Obras Públicas, em um convênio com o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), vinculado à Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.
A conclusão de todas as intervenções está prevista para setembro de 2027, segundo informações da gestão municipal.
Quem foi o padre José de Anchieta e qual é a sua relação com a Praia do Sonho
José de Anchieta, que nasceu em 1534 e faleceu em 1597, foi um missionário jesuíta espanhol. Natural das Ilhas Canárias, desempenhou um papel central na história do Brasil no século 16.
Conhecido como o “Apóstolo do Brasil”, ele foi um dos fundadores das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, destacando-se não apenas na religião, mas também como diplomata, dramaturgo, poeta e o primeiro a sistematizar a língua dos povos nativos.
Durante suas peregrinações pelo litoral paulista, dedicadas à catequização dos povos indígenas, o padre José de Anchieta costumava passar por Itanhaém, deixando marcas de sua presença que atravessaram gerações. Entre a Praia dos Sonhos e a Praia das Conchas, repousa a chamada “Cama de Anchieta”, uma formação rochosa natural que se debruça sobre o mar e compõe um cenário de rara beleza.
Segundo a tradição oral e as lendas locais, o padre utilizava aquela superfície de pedra específica para repousar após longas caminhadas. O isolamento e a paisagem dramática do encontro das pedras com as ondas tornaram o local o seu refúgio predileto para meditar e buscar inspiração para os seus textos.
Como vai ser a ligação entre os pontos da praia com o novo projeto
A execução do projeto da prefeitura de Itanhaém prevê interligar a Praça Gruta de Nossa Senhora de Lourdes ao Morro do Paranambuco. Para isso, uma nova escadaria será construída em frente às caixas d’água da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), onde o novo mirante deve ser instalado.
Segundo a prefeitura, o projeto foi pensado ecologicamente, utilizando apoios suspensos para não interferir e preservar a vegetação nativa do morro.
Além disso, o espaço renovado contará com arquibancada, área coberta, espaço para apresentações artísticas, posto de informações, sanitários, rampas de acessibilidade, novo paisagismo e iluminação em LED.
Quais são os atrativos que os banhistas encontram à beira do mar
Localizada estrategicamente entre as praias do Cibratel e dos Pescadores, a Praia dos Sonhos já é o destino mais procurado de Itanhaém. A região é cercada por outros atrativos muito procurados, como a “Cama de Anchieta”, que além das rochas históricas, conta atualmente com uma passarela de madeira de ipê com 220 metros que leva ao local de pedras.
Ainda, a Estátua “Mulheres de Areia”, localizada na vizinha Praia dos Pescadores, costuma atrair visitantes. A escultura homenageia a clássica novela da década de 1970, que teve várias de suas cenas externas gravadas ali.
Curiosidades sobre o padre jesuíta
Uma das histórias mais famosas do padre Anchieta, segundo as lendas, conta que, durante o período em que se ofereceu como refém dos indígenas Tamoios em Ubatuba, para selar um acordo de paz, Anchieta não tinha papel nem tinta.
Como forma de preservar a sanidade e fortalecer sua devoção, Anchieta teria composto os quase 6 mil versos do Poema à Virgem, escrevendo-os na areia da praia com um cajado. O jesuíta memorizou toda a obra e só a registrou no papel meses mais tarde, após conquistar a liberdade.
Além disso, mesmo convivendo com um grave problema na coluna, atribuído à tuberculose óssea, que lhe provocava dores e comprometia a postura, José de Anchieta percorria longas distâncias a pé pelas praias e matas do litoral brasileiro.
Por fim, apesar de ser popular no Brasil desde o século 16, Anchieta só foi oficialmente reconhecido como santo pela Igreja Católica séculos depois. A canonização ocorreu em abril de 2014, pelas mãos do papa Francisco.












