São Paulo completa 472 anos de fundação neste domingo (25/1) em meio a um processo de transformação da Capital nos próximos anos. Os principais alvos do poder público serão a mobilidade urbana e a estrutura da região central.
Entre as mudanças anunciadas pelas gestões municipal e estadual estão novas linhas do metrô, de trem, de BRT e até de bonde, além de novo centro administrativo e transformações urbanísticas que impactarão de forma profunda o cotidiano dos moradores.
Novo centro administrativo
Um projeto estadual estimado em R$ 6 bilhões prevê a transformação do Parque Princesa Isabel e o entorno com novos edifícios para centralizar as secretarias do Governo de São Paulo, além do restauro dos edifícios históricos e mais áreas verdes.
Há ainda a ideia de alargar calçadas, atrair lojas com fachadas ativas e criar caminhos para melhorar a circulação de pessoas com bares e restaurantes. A previsão é entregar os trabalhos até 2030.
“Recuperar e transformar essa região é um dos maiores legados que a gente pode deixar, que virá com o novo centro administrativo”, disse o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Hoje, o governo paulista conta com mais de 22 mil funcionários que trabalham em 60 prédios em diferentes áreas da Capital. A centralização, disse o governador, permitirá maior eficiência administrativa.
O leilão da Parceria Público-Privada (PPP) do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos está marcado para 26 de fevereiro deste ano.
Fim da cracolândia
Tarcísio anunciou em novembro de 2025 o fim da cracolândia, problema social, de saúde e de segurança pública que persistia em volta da Estação da Luz desde a década de 1990.
“O que aconteceu ali não foi mágica. Foi trabalho coordenado”, destacou ele, em entrevista à Gazeta em dezembro. Críticos, porém, afirmam que os usuários de drogas apenas se espalharam pela metrópole, mas que a questão persiste.
Na entrevista, Tarcísio explicou que o governo fez um “trabalho silencioso” a partir de banco de dados para direcionar usuários para tratamentos ou, em caso de pessoas procuradas pela polícia, ao sistema prisional.
Também foi detectada pelo governo a existência de um interesse imobiliário para desvalorizar os imóveis, que depois eram comprados para operar negócios de fachada que beneficiavam o crime organizado.
“Além disso, a Favela do Moinho funcionava como um bunker do crime, um centro de distribuição de drogas”, afirmou o governador, para defender a necessidade da remoção da favela da região central da cidade.
Bondes no centro
A prefeitura anunciou no fim de 2023 um plano para criar duas linhas de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) no centro da cidade, aos moldes das que já existem no Rio de Janeiro. O projeto paulistano já tem até nome: Bonde São Paulo. O objetivo principal é o de revalorizar o centro.
Os estudos preliminares indicam uma rede de aproximadamente 12 quilômetros, distribuída em duas linhas que conectariam cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas da CPTM.
No ano passado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) visitou a Prefeitura de Milão para ter mais informações sobre o sistema. A cidade italiana tem um dos maiores sistemas de VLT do mundo. Não há data para início da construção.
Parque Dom Pedro 2º
A prefeitura pretende revitalizar a região do Parque Dom Pedro 2º por meio de uma parceria público-privada (PPP). A previsão inicial é de que as obras se iniciassem em 2026 e seguissem até 2030. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), porém, suspendeu o edital, e o tema segue em discussão.
Uma das principais mudanças previstas é a criação de uma conexão entre o terminal de ônibus à estação de metrô Pedro 2º, ao Expresso Tiradentes e aos futuros BRT da Radial Leste e VLT do Centro.
A obra prevê derrubar os viadutos Antônio Nakashima e 25 de março, que serão substituídos por uma nova ponte, ampliar a avenida do Exterior e fazer intervenções na rua da Figueira e na avenida Mercúrio.
Além disso, a gestão Nunes prevê a criação de lagoas artificiais para melhorar a drenagem da região, além de ampliação de áreas verdes. Haveria, também, quiosques e galerias voltados ao comércio e a eventos. O PPP Parque Dom Pedro 2º, como foi batizado, deve custar R$ 2,4 bilhões para os cofres públicos municipais, segundo as estimativas da gestão Nunes.
BRTs
A prefeitura iniciou em 2024 as obras do BRT Radial Leste – Trecho 1. O novo corredor de ônibus se estenderá do Parque Dom Pedro até a Estação Penha do Metrô, na zona leste. O investimento é estimado em R$ 385,9 milhões.
A expectativa é que o BRT beneficie cerca de 400 mil pessoas por dia, reduzindo o tempo de viagem entre o centro e a zona leste em até 50%.
Ao mesmo tempo, há o projeto do Corredor BRT Aricanduva. Com 13,6 quilômetros de extensão, o novo corredor ligará a Radial Leste ao Terminal São Mateus, atendendo até 400 mil passageiros por dia.
Atualmente, o plano está em fase pré-edital, que deve ser publicado ainda neste ano.
“Teremos o primeiro BRT da cidade de São Paulo. Depois virá o VLT do Centro, um conjunto de ações de mobilidade na nossa cidade. Todas essas ações vão ajudar para em um futuro bem próximo melhorar a mobilidade e, principalmente, diminuir o tempo das pessoas no transporte coletivo”, destacou Nunes.
Expansão do metrô
O Metrô e as concessionárias que atuam no transporte sobre trilho na Capital e Grande São Paulo têm 26 projetos em andamento – entre estudos, análises e obras em si.
A mais avançada é a Linha 17-Ouro, que chegou à reta final com 95% de conclusão das obras civis. Os trabalhos estão concentrados no acabamento das oito estações para a abertura da linha em março deste ano, na zona sul da cidade.
Em outro lado da cidade, as obras da Linha 6-Laranja do metrô chegaram a 77% de conclusão. O ramal ligará a Brasilândia ao centro de São Paulo.
Há ainda projetos que prometem levar o metrô nos próximos anos a cidades como Guarulhos, Cotia, Taboão da Serra, Santo André e São Bernardo do Campo.





