Saúde e Cultura no mapa: o saldo da viagem do presidente Lula à Índia

Acordos assinados preveem remédios mais baratos e avanços em saúde digital, além de intercâmbio com Bollywood

Presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Muito além dos protocolos do G20, a viagem do presidente Lula à Índia trouxe na bagagem promessas de impacto direto no bolso e nos serviços públicos do brasileiro.

O principal destaque é a parceria na área da Saúde, que foca na produção de medicamentos genéricos, vacinas e pesquisa em diagnósticos de doenças, visando baratear tratamentos no SUS com possível investimento de até R$ 10 bilhões em transferência de tecnologia.

No campo da cultura, a missão oficial ampliou o intercâmbio audiovisual com a Índia e a Coreia do Sul, abrindo portas para coproduções internacionais e qualificação técnica, alinhadas ao investimento de R$ 200 milhões em projetos globais anunciados pelo governo.

O balanço da viagem destaca um ponto crucial: o compartilhamento de tecnologias para diagnósticos e tratamentos via saúde digital.

A intenção é aproveitar a escala de produção indiana para garantir que medicamentos essenciais cheguem mais baratos às farmácias brasileiras, complementando iniciativas nacionais como a Rede de Hospitais Inteligentes do SUS, com R$ 4,8 bilhões investidos e o primeiro hospital em São Paulo.

A nova fronteira do emprego: cooperação no trabalho digital

A agenda em Nova Déli avançou em governança digital, com Parceria Digital para o Futuro e digitalização do comércio bilateral via certificados eletrônicos, combatendo concentração de big techs e precarização via modelos de dados abertos.

Lula defendeu regulação global de IA e plataformas para mitigar discursos de ódio e exploração de dados, inspirando adaptações brasileiras ao modelo indiano de infraestrutura pública digital.

Bollywood em pauta

A aproximação com o audiovisual indiano, maior produtor mundial de filmes (90% de market share interno), integra missões para intercâmbio técnico e coproduções, gerando empregos e turismo cultural.

Para São Paulo e produtoras nacionais, isso reforça políticas como a cota de tela regulada por decreto e linhas de crédito do BNDES de R$ 400 milhões, elevando o Brasil como hub de criatividade.

Dossiê Brasília-Nova Déli: documentos assinados

  • Saúde: produção de insumos, medicamentos e vacinas (foco em genéricos e diagnósticos).
  • Energia: aliança Global de Biocombustíveis (expansão do etanol) e minerais críticos.
  • Tecnologia: parceria Digital para o Futuro e Comércio Digital.
  • Cultura: intercâmbio audiovisual com Índia e Coreia.
  • Empreendedorismo: apoio a micro, pequenas e médias empresas.