Tudo o que se sabe até agora sobre a operação da PF que mira Jaques Wagner

Investigação apura apartamento de R$ 2,5 milhões, repasses milionários, viagens em jatinho e suposta atuação em favor de interesses ligados ao Banco Master

Tudo o que se sabe até agora sobre a operação da PF que mira Jaques Wagner

PF investiga relação de Jaques Wagner com ex-sócio do Master /Lula Marques/ Agência Brasil

A nova fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (18/6), colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, no centro de uma investigação da Polícia Federal.

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A ação apura possíveis vantagens recebidas de pessoas ligadas ao Banco Master e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu mandados de busca na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

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Até o momento, a PF investiga uma série de fatos que incluem a suspeita de repasses financeiros ao núcleo familiar do senador, um apartamento de luxo em Salvador, viagens em aeronaves particulares e ingressos para um show nos Estados Unidos.

Apartamento de R$ 2,5 milhões é um dos focos da investigação

Um dos principais pontos apurados envolve um imóvel de alto padrão em Salvador.

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Segundo a PF, o apartamento teria sido adquirido formalmente por uma empresa abastecida com recursos ligados ao Banco Master, mas os investigadores suspeitam que Jaques Wagner seria o beneficiário real do bem.

O imóvel fica no empreendimento Poème Horto, no bairro Horto Florestal, uma das regiões mais valorizadas da capital baiana.

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Com cerca de 204 metros quadrados, o apartamento possui até quatro suítes e integra um condomínio com academia, spa, piscinas, quadras esportivas e áreas de lazer.

A unidade é avaliada em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

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PF apura repasses de R$ 3,5 milhões a empresa ligada à família

Outro eixo da investigação envolve transferências financeiras que, segundo a PF, podem ter beneficiado pessoas próximas ao senador.

Os investigadores identificaram um repasse de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações para a BN Financeira, companhia ligada a Bonnie Bonilha, esposa do enteado de Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins.

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De acordo com a decisão de André Mendonça, a BN Financeira aparece como peça central na movimentação de recursos supostamente destinados ao núcleo familiar do parlamentar.

A PF afirma que a empresa possui estrutura considerada incompatível com os valores movimentados.

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Viagens em jatinho e hospedagem também são investigadas

A investigação aponta ainda uma relação próxima entre Wagner e Augusto Lima.

Segundo a PF, o empresário teria disponibilizado aeronaves particulares para deslocamentos do senador em diferentes ocasiões.

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Entre os episódios citados está uma viagem à Ilha da Paixão, propriedade de Augusto Lima.

Conversas analisadas pelos investigadores também mostram pedidos de apoio logístico para viagens ao Rio de Janeiro.

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Ingressos para show nos Estados Unidos

Outro fato sob investigação envolve a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

De acordo com a PF, Jaques Wagner teria solicitado entradas para familiares em um evento realizado em 2023.

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Os bilhetes teriam sido adquiridos pela Reag, empresa apontada como peça importante na estrutura financeira investigada pela operação.

O valor dos ingressos chegou a cerca de R$ 63 mil na cotação da época.

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PF vê indícios de atuação em favor do Banco Master

Além dos supostos benefícios pessoais, a investigação também analisa a atuação parlamentar do senador.

A PF aponta indícios de que Wagner teria defendido propostas consideradas favoráveis aos interesses do Banco Master e de Augusto Lima no Congresso Nacional.

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Entre os episódios citados estão discussões sobre crédito consignado e a chamada “emenda Master”, relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a investigação, mensagens mostram troca de informações entre o senador e Augusto Lima durante a tramitação desses temas.

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Dinheiro em espécie foi encontrado

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu valores em moeda estrangeira em endereços ligados ao senador.

Segundo os investigadores, foram encontrados US$ 55 mil e 33 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 470 mil pela cotação atual.

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Parte do dinheiro estava no quarto de hotel onde Wagner reside em Brasília.

O que dizem os envolvidos

Até o momento, Jaques Wagner não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.

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Já Augusto Lima afirmou, por meio de seus advogados, que as diligências eram desnecessárias e que os fatos investigados são lícitos.

A defesa do empresário sustenta que ele sempre atuou dentro da legalidade e que os esclarecimentos serão prestados às autoridades.

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O que acontece agora

A Operação Compliance Zero segue em andamento. A PF investiga possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Os materiais apreendidos nas buscas serão analisados e poderão servir de base para novas diligências ou eventual apresentação de denúncias pelo Ministério Público.

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Até o momento, não há acusação formal nem condenação contra Jaques Wagner no caso.