Nem polarização pura, nem omissão: como Zema planeja usar a economia contra Lula

Pré-candidato à Presidência usa redes sociais para afirmar que descontrole orçamentário penaliza a população de baixa renda

Declarações públicas, tensão com instituições e repercussão nacional ampliaram o desgaste em torno do nome do chefe do Executivo estadual.

Declarações públicas, tensão com instituições e repercussão nacional ampliaram o desgaste em torno do nome do chefe do Executivo estadual / Marcelo Camargo / Agência Brasil

A cartada de Romeu Zema (Novo) para a disputa ao Planalto em 2026 já tem um alvo claro: o bolso do eleitor. Em vez de focar apenas na guerra ideológica, o ex-governador de Minas Gerais usou as redes sociais nesta semana para culpar a gestão Lula pelos juros altos, cravando que o PT atua como o “maior inimigo dos mais pobres”. O ataque escancara a estratégia econômica que o pré-candidato deve usar para tentar liderar a oposição.

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Na quarta-feira (10/6), o política mineiro, que busca ser uma terceira via nas Eleições, usou sua conta oficial no X e disparou duras críticas à política econômica do governo federal.

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Ele sustentou a tese de que a expansão dos gastos públicos promovida pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva é a principal responsável pela manutenção das taxas de juros em patamares restritivos no país.

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O impacto do endividamento público no crediário e na casa própria

A linha de argumentação de Zema concentrou-se nos reflexos práticos dos indicadores macroeconômicos no orçamento das famílias de menor poder aquisitivo. Segundo o pré-candidato, a ausência de um controle rígido sobre o orçamento federal deixa os gabinetes de Brasília e se materializa na perda do poder de compra do cidadão comum.

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Relatórios do Banco Central mostram que a dívida bruta do país, que era de 74,4% do PIB em 2019, avançou de forma gradual até atingir a marca de 80,1% do PIB em 2026.

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O ex-governador pontuou que o encarecimento do crédito decorrente desse cenário inviabiliza o acesso a bens duráveis por meio de carnês, dificulta o pagamento de parcelas de financiamentos e cria barreiras para a conquista da casa própria.

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Como contraponto ao modelo adotado pelo Executivo Federal, o político buscou capitalizar politicamente os resultados de sua passagem pelo governo de Minas Gerais, utilizando o equilíbrio fiscal do estado como plataforma de campanha.

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“Em Minas, a gente provou que existe outro caminho. Contas em ordem, responsabilidade financeira e respeito por quem trabalha”, declarou Zema.

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O mineiro concluiu cobrando maior previsibilidade e zelo com o dinheiro arrecadado junto aos contribuintes antes de se desenhar qualquer expansão de despesas obrigatórias.

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Autonomia do Banco Central e os juros do varejo

Apesar do forte componente político do discurso, o desenho institucional brasileiro estabelece que a calibração da taxa básica de juros (Selic) é uma competência exclusiva e independente do Banco Central.

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Conforme as atas e deliberações recentes do Comitê de Política Monetária (Copom) ao longo de 2026, as decisões da autoridade monetária baseiam-se em critérios técnicos, no balanço de riscos e no cumprimento das metas de inflação, operando de forma autônoma em relação ao debate fiscal.

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Analistas de mercado ressaltam que o peso dos juros no bolso do consumidor final é ampliado pelas margens operacionais das instituições financeiras.

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Estatísticas apuradas pelo Banco Central, Serasa e Anbima indicam que o custo do crédito no varejo, especialmente em modalidades como o cartão rotativo e o Crédito Directo ao Consumidor (CDC), permanece elevado devido aos índices de inadimplência e custos de captação, superando com folga o índice oficial de inflação e penalizando diretamente às famílias de baixa renda.