Psicóloga alerta: BBB pode provocar danos emocionais profundos nos participantes

Dinâmica da atração pode desencadear quadros de ansiedade, depressão, confusão mental e pensamentos desorganizados

Henri Castelli deixou atração após passar mal em prova; Viih Tube e Carol Conká saíram com alta rejeição

Henri Castelli deixou atração após passar mal em prova; Viih Tube e Carol Conká saíram com alta rejeição | Reprodução/Tv Globo

O BBB 26 mal começou e um dos participantes mais famosos, o ator Henri Castelli, deixou a atração da TV Globo após ter dois episódios de convulsão no mesmo dia. O primeiro aconteceu durante a Prova do Líder, na qual os participantes não podem comer, beber água e nem ir ao banheiro. Ele já estava há 10 horas na disputa quando despencou no chão.

Já o vencedor foi Alberto Cowboy, que saiu consagrado do desafio depois de 26 horas de uma série de privações.

As provas do tipo, em que a resistência física e mental dos brothers e sisters é testada ao extremo, costumam ser um deleite para o público, mas podem causar uma série de males mentais a quem participa delas. A visão é da psicóloga Giorgia Ocinschi, da Rede de Hospital São Camilo de São Paulo.

“As provas de resistência e os testes de controle emocional se somam a um contexto já altamente estressante. O confinamento prolongado, a vigilância 24 horas por dia, a privação de rotina, o sono irregular e a convivência forçada com desconhecidos criam um ambiente de pressão constante”, explicou a especialista.

Conforme Ocinschi, o BBB como um todo é algo arriscado para a saúde mental de qualquer um.

“As emoções são testadas o tempo todo, especialmente em provas longas, dolorosas ou que exigem privação de sono, alimento ou conforto físico. Esse cenário pode desencadear ou agravar quadros de ansiedade, depressão, confusão mental, pensamentos desorganizados e crises emocionais”, explicou a especialista.

Em situações mais graves, analisou ela, participante pode entrar em um estado de vulnerabilidade psicológica tão intenso que a desistência passa a ser percebida como a única saída possível.

Riscos da superexposição

Para a psicóloga, a superexposição pode ser algo devastador para parte dos participantes, mesmo os que se consideram mais fortes para aguentar o impacto.

“Essa exposição constante pode gerar ansiedade, estresse, crises de pânico, depressão, insônia e sensação de perda de controle sobre a própria imagem. Mesmo pessoas com boa autoestima podem se sentir emocionalmente abaladas ao verem sua vida pessoal sendo debatida publicamente, muitas vezes de forma agressiva e cruel”, destacou a profissional.

Além disso, a busca por validação externa pode se tornar um ciclo vicioso. Quando a fama diminui, o que costuma acontecer rapidamente após o fim do programa, disse podem surgir frustrações profundas, sentimento de vazio e dificuldades para retomar a vida cotidiana.

Rejeição pública

Nas últimas temporadas, participantes foram eliminados do programa com alto índice de rejeição, como Carol Conká, Viih Tube e Projota. Isso em geral é uma experiência extremamente traumática, disse a psicóloga.

“Estudos mostram que a rejeição social ativa áreas do cérebro semelhantes às da dor física, o que explica por que esse tipo de exposição pode ser vivenciado como uma dor real, intensa e prolongada. Participantes que saem com altos índices de rejeição enfrentam não apenas o impacto emocional da eliminação, mas também perdas financeiras, contratos cancelados, ataques virtuais, ameaças e exposição da família”, contou.

Segundo ela, muitos relatam sentimentos de vergonha profunda, humilhação, isolamento social e dificuldade de retomar a própria identidade fora do personagem construído pelo reality.

“Esse tipo de rejeição pode desencadear ou agravar quadros depressivos, crises de ansiedade, pensamentos autodepreciativos, sensação de fracasso e, em casos mais graves, ideação suicida. Quando a pessoa não conta com uma rede de apoio estruturada e acompanhamento psicológico, os danos podem ser ainda mais profundos e duradouros”, destacou.

Ela explicou que o caso de Karol Conká, que saiu do BBB21 com rejeição de 99,17% e sofreu uma forte onda de cancelamento, se tornou um marco para os participantes das edições seguintes. A partir dali o temor de “virar vilão” passou a influenciar diretamente o comportamento dentro da casa, levando muitos confinados a se tornarem excessivamente cautelosos, estratégicos e emocionalmente contidos, com medo de repetir o mesmo destino.

“Esse cenário intensifica a pressão psicológica, alimenta a autocensura e contribui para um ambiente de tensão permanente, em que qualquer erro pode ser vivido como uma ameaça à reputação, à carreira e à própria identidade pública”, completou a especialista do São Camilo.

Cotada para integrar o time de veteranos do BBB 26, Karol descartou a possibilidade e disse que só consideraria participar de um reality em um cenário bem diferente.

“Eu acho que voltaria para um reality, mas só daqui a uns 10 ou 20 anos. Acho que entraria se fosse para uma edição BBB 50+. Ia ser tudo”, revelou em entrevista à revista Quem.