O hábito de agradar e ser sempre a ‘pessoa boazinha’ sempre pode estar te esgotando, segundo estudo

Quando a necessidade de aprovação é mais importante do que a própria expressão do ser, o corpo e a mente começam a manifestar sintomas de desgaste e doença

Ocultar as próprias emoções pode levar a manutenção de problemas, tanto externos quanto internos

Ocultar as próprias emoções pode levar a manutenção de problemas, tanto externos quanto internos | Divulgação / IMDb

Ser gentil, evitar atrito e tentar manter a paz são atitudes valorizadas no dia a dia. O problema começa quando esse padrão começa a suprimir a individualidade da pessoa, a chamada “síndrome da pessoa boazinha”. Ela engole o que sente, aceita mais do que pode e mede cada fala com medo de desagradar.

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Na ciência, esse comportamento é mais conhecido como auto-silenciamento e baixa assertividade do que pelo termo popular. Ainda assim, a mensagem é parecida: quando alguém deixa de ser como deveria ser, em detrimento do ambiente social, ela paga esse déficit com a própria saúde mental.

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Padrão apontado em pesquisa

Uma revisão publicada na revista International Journal of Social Psychiatry reuniu pesquisas sobre auto-silenciamento, que é o hábito de esconder opiniões e emoções para evitar conflito ou rejeição.

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Nesse conjunto de estudos, o padrão aparece ligado a pior bem-estar psicológico e a maior vulnerabilidade a quadros como depressão e transtornos alimentares, sobretudo entre mulheres. Ou seja, o silêncio pode evitar um mal-estar momentâneo, ao mesmo tempo em que pode estar reforçando situações de desgaste da saúde mental.

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Dizer não em estágios iniciais de comportamentos problemáticos, evitam que eles se tornem um padrão enraizado (Foto: Polina Tankilevitch / Pexels)Dizer não em estágios iniciais de comportamentos problemáticos, evitam que eles se tornem um padrão enraizado (Foto: Polina Tankilevitch / Pexels)

O estudo não sugere que ser colaborativo seja um problema. Porém, a abnegação extrema do eu se mostra problemática.

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A importância da assertividade

A revisão de 2019 ajuda na conceituação do problema, enquanto um ensaio clínico publicado em 2024 aponta um caminho prático para essa “síndrome”. O estudo avaliou universitários de uma instituição privada e comparou um grupo que recebeu treinamento de assertividade com outro grupo de controle.

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O treino de assertividade é uma técnica de habilidades sociais (comum na Terapia Cognitivo-Comportamental) para expressar desejos e direitos de forma clara, direta e respeitosa, sem ser passivo ou agressivo (Foto: DC Studio / Freepik)O treino de assertividade é uma técnica de habilidades sociais (comum na Terapia Cognitivo-Comportamental) para expressar desejos e direitos de forma clara, direta e respeitosa, sem ser passivo ou agressivo (Foto: DC Studio / Freepik)

O resultado foi direto: quem passou pelo treinamento apresentou redução maior de estresse, ansiedade e depressão, além do objetivo óbvio do treinamento: aumento da assertividade. Ou seja, aprender a se posicionar com clareza e respeito não serve só para melhorar a comunicação. Também pode proteger a saúde mental.

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Muita gente trata assertividade como sinônimo de grosseria ou falta de educação. Não é. Ser assertivo significa dizer o que pensa, expressar limite e comunicar necessidade sem agressividade, mas também sem submissão.

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Isso inclui recusar tarefas impossíveis, pedir tempo para responder, discordar sem atacar e parar de transformar desconforto em silêncio automático. No ambiente profissional, aprender a dizer não com mais clareza pode evitar exaustão, ansiedade e perda de autenticidade.