AVC em jovens cresce e estudo revela que infecções recentes podem ser um fator de risco

Infecção na semana anterior apareceu associada a maior risco de AVC criptogênico, aquele sem causa clara nos exames

A pesquisa analisou uma amostragem de adultos entre 18 a 49 anos

A pesquisa analisou uma amostragem de adultos entre 18 a 49 anos | Anna Shvets / Pexels

Os casos de AVC em adultos jovens vêm chamando mais atenção da medicina. Agora, um novo estudo aponta que uma infecção recente pode aumentar o risco de derrame isquêmico sem causa aparente, de forma importante, em pessoas com menos de 50 anos.

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Em muitos pacientes jovens, não há fatores agravantes, como hipertensão, diabetes, colesterol alto ou outro fator tradicional que, em geral, acende o alerta antes de um evento vascular.

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Apontamentos do estudo

A pesquisa analisou adultos de 18 a 49 anos que tiveram um primeiro AVC isquêmico sem explicação definida. Na comparação com o grupo de controle, ter passado por uma infecção na semana anterior apareceu ligado a um risco claramente maior.

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O foco do trabalho está no chamado AVC criptogênico, nome usado quando os exames não conseguem apontar uma causa direta para o entupimento do vaso no cérebro. Esse grupo ainda intriga neurologistas, sobretudo nos pacientes mais jovens.

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Os autores também observaram alterações em marcadores ligados à coagulação. Entre eles, ganhou destaque o fator de von Willebrand, proteína envolvida na formação de trombos.

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Os trombos são coágulos, amontoados de células, nutrientes e gorduras que causam entupimentos nos vasos sanguíneos, podendo levá-los a explodir devido à pressão (Foto: Laboratórios Servier / Wikimedia Commons)Escreva a legenda aqui

Segundo a conclusão dos autores, o agente infeccioso pode somar força a uma vulnerabilidade pré-existente, como predisposição individual, alteração cardíaca silenciosa ou resposta inflamatória exagerada.

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“Parece que a infecção pode atuar como um gatilho para o infarto cerebral em jovens em situações onde existe uma suscetibilidade individual subjacente”

afirmou o professor e médico-chefe Jukka Putaala ao Iltalethi

Nesse ponto, reconhecer os sinais de alerta mais comuns do AVC pode encurtar o tempo até o socorro, o que faz diferença direta na recuperação e na chance de reduzir sequelas.

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Bibliografia complementar

Uma pesquisa da Universidade de Helsinque analisou a relação da periodontite com o derrame. Segundo suas conclusões, a inflamação crônica que atinge a gengiva e os tecidos de sustentação dos dentes apareceu ligada a maior risco de AVC antes dos 50 anos.

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Ambos os dois estudos entram em um ponto de convergência: quando há inflamação, também há uma mudança no padrão de coagulação. Em alguns cenários, isso favorece a formação de coágulos capazes de bloquear a circulação cerebral.

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Os pesquisadores ainda observaram associação com procedimentos dentários recentes e infecções bucais sintomáticas em pessoas predispostas.

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Esse tipo de leitura também ajuda a entender por que mulheres com menos de 35 anos têm mais chance de sofrer AVC em alguns recortes de pesquisa: os fatores podem ser diferentes dos observados em idosos, com peso maior para condições não tradicionais.