Estudo aponta efeitos perigosos da dieta cetogênica no fígado

Pesquisa com camundongos observou menos ganho de peso, mas revelou gordura no fígado e problemas na resposta à glicose ao longo do tempo

Estudo comprovou consequências metabólicas da dieta cetogênica quando mantida por períodos prolongados

Estudo comprovou consequências metabólicas da dieta cetogênica quando mantida por períodos prolongados | Freepik

A dieta cetogênica, conhecida como dieta keto, propõe uma mudança profunda no padrão alimentar, com corte acentuado de carboidratos, maior ingestão de gorduras e consumo controlado de proteínas.

Desenvolvida originalmente para tratar epilepsia, a abordagem ganhou espaço ao longo dos anos entre quem busca emagrecimento ou tenta controlar problemas como obesidade e diabetes tipo 2.

Porém, um estudo da University of Utah Health, publicado na revista Science Advances em setembro de 2025, levanta novos questionamentos sobre os impactos dessa dieta quando adotada por períodos prolongados.

Como o estudo foi feito

Para observar os efeitos a longo prazo, os pesquisadores acompanharam camundongos machos e fêmeas alimentados com a dieta cetogênica.

Ao longo do estudo, esses animais mantiveram pesos corporais bem mais baixos, o que inicialmente sugeria um resultado positivo.

Mas o quadro mudou rapidamente: mesmo com menos ganho de peso, os camundongos desenvolveram complicações metabólicas sérias, e algumas delas apareceram poucos dias depois do início da dieta.

Gordura no fígado

Em entrevista ao SciTechDaily, Amandine Chaix, uma das autoras do estudo, afirmou que a dieta cetogênica não foi capaz de prevenir a esteatose hepática, também conhecida como gordura no fígado.

“Uma coisa muito clara é que, se você tem uma dieta muito rica em gordura, os lipídios precisam ir para algum lugar, e eles geralmente acabam no sangue e no fígado.”

Quando ultrapassa 5% do tecido hepático, o acúmulo de gordura pode causar inflamação e evoluir para doenças mais graves como cirrose e câncer de fígado.

Mais resultados

Após dois a três meses na dieta cetogênica, os camundongos também apresentaram níveis muito baixos de glicose e insulina no sangue.

Segundo Chaix, “o problema é que, quando você dá um pouco de carboidrato a esses camundongos, a resposta deles é completamente distorcida. A glicose no sangue sobe muito e permanece alta por muito tempo, e isso é bastante perigoso.”

Os pesquisadores descobriram que isso acontecia porque as células do pâncreas não estavam produzindo insulina suficiente.

Elas mostravam sinais de estresse, provavelmente devido aos altos níveis de gordura circulando por longos períodos.

A boa notícia é que a dificuldade de regular a glicose foi revertida quando os camundongos deixaram a dieta, indicando que parte dessas alterações pode não ser permanente se o padrão alimentar for interrompido.