O que acontece com seu cérebro quando você assiste tudo em 1,5x ou 2x

Psicólogos alertam que o hábito de consumir conteúdos em velocidade acelerada pode causar sobrecarga mental, ansiedade e dificuldade de concentração

Especialistas explicam como o consumo de vídeos e áudios em 2x influencia a memória, o estresse e a percepção de entretenimento

Especialistas explicam como o consumo de vídeos e áudios em 2x influencia a memória, o estresse e a percepção de entretenimento | Freepik

A correria e o ritmo acelerado do cotidiano obrigam as pessoas a realizarem suas tarefas com rapidez. Essa pressa em fazer as coisas atingiu um patamar tão alto que até interfere na forma como consumimos conteúdos de entretenimento.

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Plataformas de streaming, redes sociais e ferramentas de conversação agora disponibilizam recursos que permitem que produtos audiovisuais sejam consumidos em velocidades aceleradas, como áudio ou vídeo em 1,5x ou 2x.

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Essa tendência, conhecida como Speedwatching, decorre da alta circulação de informações encontradas na web e é impulsionada por empresas do ramo de tecnologia com a promessa de economizar tempo. Porém, este hábito pode trazer consequências graves ao sistema cognitivo e à saúde mental.

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O início da aceleração

O fenômeno do Speedwatching surgiu como uma resposta ao alto volume de produções culturais e informações disponíveis na internet.

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Essa quantidade é tão grande que os usuários têm dificuldade de acompanhar as últimas tendências divulgadas no meio virtual.

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A partir dessa necessidade, big techs começaram a disponibilizar ferramentas em suas plataformas que permitiam que seus conteúdos fossem acelerados e consumidos em menos tempo.

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O pioneiro disso foi o YouTube, que introduziu os controles de velocidade de reprodução em 2010. Depois, em 2020, a Netflix adicionou esse recurso em sua plataforma e popularizou-se entre os demais serviços de streaming.

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Essa tendência afetou até a forma como as pessoas se comunicam. Em 2021, o WhatsApp liberou essa ferramenta para a reprodução de áudios, o que popularizou a medida para outros aplicativos de conversação.

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Impactos do Speedwatching no cérebro e na saúde mental

Apesar de o controle de velocidade permitir que mais conteúdos sejam assistidos ou ouvidos, ele pode afetar a percepção de entretenimento.

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É o que explica o psicólogo Mário Glória Filho em entrevista ao Jornal da USP.

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“Quanto mais a pessoa acelera um conteúdo, mais entediada e insatisfeita ela tende a se sentir. A experiência fica menos envolvente”, diz o terapeuta.

Ele também alerta que a facilidade de acessar esses recursos faz com que sejam muito utilizados.

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Além disso, o Speedwatching pode trazer impactos significativos na saúde mental e no funcionamento do cérebro.

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De acordo com o psicólogo, o ato frequente de acelerar vídeos ou áudios gera uma espécie de sobrecarga, pois o cérebro precisa processar mais informações em um espaço curto de tempo.

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Esse esforço adicional pode ocasionar irritações, sintomas de cansaço, ansiedade e dificuldade de concentração. Isso, aliado a um estilo de vida também acelerado, pode causar níveis significativos de estresse.

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A professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Flávia Marucci, afirma ao Jornal da USP que esse hábito interfere em partes do cérebro.

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“O cérebro se acostuma com esse padrão de conteúdos mais rápidos, mais intensos e acaba tendo dificuldade quando a informação não chega na mesma velocidade.”

Ela também alerta que essa aceleração é prejudicial para a memória.