Sarampo volta a preocupar em 2026: SP já soma 41 casos; veja monitoramento da Secretaria de Estado da Saúde 

Doença havia sido eliminada da circulação endêmica no Brasil, mas queda nas coberturas vacinais favoreceu o retorno da transmissão; Ministério da Saúde reforça importância da imunização

O sarampo, que está livre da circulação endêmica no país desde 2024, voltou preocupar autoridades de saúde em 2026. São Paulo já registrou 41 casos confirmados da doença neste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde. Do total, 37 ocorreram na capital, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André. Não houve mortes relacionadas à doença entre os pacientes confirmados.

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Em nível nacional, o Ministério da Saúde contabilizava, até 5 de outubro, 52 casos importados de sarampo em 2026. Foram 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Apesar dos registros, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus pelo certificado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Brasil já perdeu certificação de eliminação da doença antes

Antes de qualquer coisa, é importante compreender que a circulação endêmica acontece quando o vírus está estabelecido no país e há transmissão de pessoa para pessoa de forma sustentada. Um caso pode gerar novas infecções, mantendo a doença em circulação na população, o que é diferente de um caso importado, quando uma pessoa contrai o vírus em outro país ou região e leva a infecção para o Brasil. É da endêmica que estamos livres.

Mas é importante relembrar que o certificado de novembro de 2024 não é nossa primeira vez estando livres desse posto. A certificação de eliminação da OPAS já tinha sido conquistada em 2016, mas o país perdeu o status em 2019, após a retomada da transmissão sustentada do vírus, associada a casos vindos de outros países, e um cenário de baixa cobertura vacinal, favorecendo a retomada da transmissão sustentada no território nacional.

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Sem a circulação endêmica, o que preocupa agora?

A principal preocupação das autoridades é a existência de pessoas sem proteção adequada contra o vírus. O sarampo é uma doença respiratória altamente contagiosa e pode ser transmitido antes mesmo do aparecimento das manchas vermelhas na pele, o que facilita a disseminação entre pessoas próximas.

Em São Paulo, 31 dos 41 casos confirmados em 2026 ocorreram em pessoas sem registro de vacinação contra o sarampo ou com o esquema vacinal incompleto. Cerca de 61% dos pacientes tinham menos de 2 anos, grupo considerado mais vulnerável à doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação é considerada a principal estratégia para impedir que casos importados deem origem a uma transmissão sustentada e que mantenhamos nosso posto seguro.

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Como São Paulo monitora os casos

A Secretaria de Estado da Saúde acompanha as chamadas cadeias de transmissão, que permitem identificar quais casos podem estar relacionados e reconstruir o caminho percorrido pelo vírus entre pessoas infectadas e seus contatos.

A investigação considera o período em que os casos ocorreram, possíveis vínculos entre os pacientes e resultados de exames laboratoriais. A partir dessas informações, as equipes podem realizar busca ativa, rastrear contatos e promover vacinação de bloqueio.

São Paulo acompanha desde junho diferentes cadeias de transmissão. Algumas já não apresentam novos registros relacionados, enquanto outras continuam sob monitoramento. Para que uma cadeia seja considerada encerrada, é necessário completar 12 semanas sem novos casos relacionados, contadas a partir do início do exantema, nome dado às manchas vermelhas na pele, do último paciente confirmado.

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A primeira cadeia identificada em 2026, registrada entre março e abril e relacionada a dois casos importados, já foi encerrada após esse período sem novos registros. As cadeias identificadas posteriormente, em junho, julho e agosto, continuam sendo acompanhadas.

Além da investigação epidemiológica, os casos confirmados passam por análise laboratorial no Instituto Adolfo Lutz (IAL). O vírus também pode ser submetido a sequenciamento genético pela Fiocruz, laboratório nacional de referência para o sarampo. A análise ajuda a identificar relações entre os casos e as diferentes cadeias de transmissão.

Cobertura vacinal melhorou em São Paulo

A cobertura da vacinação contra o sarampo apresentou crescimento no estado ao longo de 2026. A primeira dose passou de 86,56% em abril para 93,24% em julho. Já a segunda dose avançou de 72,72% para 78,37% no mesmo período.

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Apesar da melhora, a vacinação continua sendo reforçada pelas autoridades. Em todo o estado, o imunizante está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios paulistas.

No Brasil, o Ministério da Saúde também intensificou as ações de imunização. Em 2026, mais de 13 milhões de doses da tríplice viral já haviam sido distribuídas aos estados e ao Distrito Federal, segundo a pasta. Em São Paulo, foram mais de 6,8 milhões de doses destinadas ao estado, das quais mais de 3,1 milhões já haviam sido aplicadas.

Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?

O esquema de rotina prevê a primeira dose para crianças aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de 15 meses a 29 anos devem ter duas doses comprovadas, respeitando intervalo mínimo de 30 dias. Para quem tem entre 30 e 59 anos, é necessária pelo menos uma dose comprovada. Trabalhadores da saúde devem ter duas doses, independentemente da idade.

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Em São Paulo, também existe a chamada dose zero, indicada para crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias que vivem na capital, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André. A estratégia pode ainda ser adotada durante ações de bloqueio após contato com caso suspeito ou confirmado, conforme avaliação da vigilância epidemiológica. A dose zero, porém, não substitui as doses previstas no calendário de rotina aos 12 e 15 meses.

A orientação das autoridades é que adultos também confiram a própria caderneta de vacinação e procurem uma unidade de saúde caso precisem atualizar as doses. A imunização protege individualmente e também ajuda a reduzir a transmissão para crianças que ainda não completaram o esquema vacinal.

Reforço: o Brasil continua livre da circulação endêmica e podemos garantir que continue

Apesar do aumento dos registros em 2026, o cenário brasileiro atual ainda é diferente daquele observado durante o surto iniciado em 2018. O Ministério da Saúde ressalta que casos isolados, importados ou relacionados à importação não significam, por si só, o retorno do sarampo como problema de saúde pública no país. Eles, porém, mostram a necessidade de manter a vacinação e a vigilância epidemiológica em níveis elevados.

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A situação internacional também aumenta a atenção das autoridades. Em outubro, o Ministério da Saúde alertou para o avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas. Segundo a pasta, mais de 95% dos casos confirmados na região em 2026 estão concentrados nos Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá.

Por isso, a recomendação é que pessoas com doses atrasadas procurem uma unidade do SUS para atualizar a vacinação de acordo com as orientações do Programa Nacional de Imunizações. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo sistema público de saúde.

No estado de São Paulo, informações sobre vacinação, calendário, segurança dos imunizantes e prevenção também podem ser consultadas no portal Vacina 100 Dúvidas, mantido pelo governo estadual.