O Sistema único de Saúde (SUS) começou a oferecer, nesta terça-feira (3/3), teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.
Voltado a maiores de 18 anos, o serviço é gratuito e também aberto a familiares e rede de apoio. O acesso será feito pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Para o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Para que o atendimento funcione, o investimento previsto para o serviço é de R$ 2,5 milhões.
Pouca procura presencial
Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, o SUS contabilizou 6.157 atendimentos presenciais ligados a jogos e apostas.
A área técnica avalia que a busca espontânea por ajuda ainda é restrita, muito por constrangimento, estigma ou dificuldade de identificar o comportamento como um problema de saúde.
Com o teleatendimento, a Pasta pretende ampliar o acesso ao cuidado de forma mais reservada e facilitar o primeiro contato com a rede pública.
A iniciativa faz parte de um pacote de medidas do governo federal diante da expansão das apostas online no país e dos reflexos na saúde mental.
Como será o atendimento
Para utilizar o serviço, o interessado deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital ou a versão web, entrar com a conta gov.br e selecionar, na aba “Miniapps”, a opção destinada a dificuldades com jogos de apostas.
Em seguida, o usuário responde a um autoteste validado no Brasil, com questões baseadas em evidências científicas para identificar indícios de risco.
Quando o resultado aponta risco moderado ou alto, o encaminhamento ao teleatendimento é feito automaticamente.
Nos casos classificados como de menor risco, a orientação é procurar atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial, que reúne os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde.
As consultas ocorrem por vídeo, têm duração média de 45 minutos e integram ciclos de cuidado que podem chegar a 13 sessões por paciente.
O acompanhamento pode ser individual ou em grupo, com possibilidade de participação de familiares.
A equipe é formada por profissionais como psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatra quando indicado.
O modelo também prevê telemonitoramento e articulação com a rede local do SUS para eventual encaminhamento presencial.
Estratégia ampliada
A ação integra uma estratégia interministerial. Entre as medidas relacionadas estão
- A Plataforma de Autoexclusão Centralizada, coordenada pelo Ministério da Fazenda, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados;
- O Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado ao compartilhamento de dados entre Saúde e Fazenda;
- A publicação de diretrizes clínicas com uma linha de cuidado específica para pessoas com problemas relacionados a jogos.
O Ministério da Saúde informou ainda que a Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, está apta a orientar a população sobre o tema.
Rede de saúde mental
Dados oficiais indicam que o orçamento federal destinado à saúde mental passou de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025.
Atualmente, a rede pública conta com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil Centros de Atenção Psicossocial.
Segundo a Pasta, a expansão das apostas online trouxe novos desafios ao sistema, sobretudo na identificação precoce de comportamentos compulsivos.
A condição é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como transtorno mental, classificada como “transtorno do jogo” na CID-11.
A efetividade do novo formato de atendimento e o alcance do público-alvo deverão ser analisados conforme o serviço avance e os primeiros dados de utilização sejam consolidados.
