Gestão Doria em xeque

O Grupo Gazeta de S. Paulo divulgou nesta semana a primeira pesquisa de intenção de voto para governador do estado de São Paulo nas eleições de 2022. Segundo o instituto GovNet/Opinião Pesquisa, o ex-prefeito da Capital Fernando Haddad (PT) lidera em todos os cenários na pesquisa estimulada, ou seja, quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor.

Além da liderança do petista, o que chama atenção é a rejeição do atual governador João Doria (PSDB), 39,2%. Em meio à maior crise sanitária do País, a administração do tucano à frente do estado de São Paulo foi mal avaliada pelos entrevistados que deram entre nota zero e 1 para o peessedebista. A pesquisa completa pode ser acessada no site da Gazeta.

Sem dúvida alguma a gestão pública na pandemia no Brasil não têm sido eficiente. Faltaram ações coordenadas, sobraram intenções políticas e vários setores da sociedade foram atingidos senão pelo coronavírus, pela crise econômica. Na parte que coube ao Estado, João Doria até que fez o papel de unir municípios, traçou estratégias, porém, muitas delas tardias, falhas ou ainda politiqueiras. É o exemplo da fase emergencial, decretada somente no pico da tragédia, quando sozinho São Paulo chegava a 1 mil mortes por dia. Por medo de represália, protestos ou de desagradar eleitores, o governador hesitou por diversas vezes em tomar medidas rígidas e impopulares. O que se vê é o efeito cascata: determina-se fechamento de comércio e atividades na Capital, os paulistanos vão para a praia. A Baixada, por sua vez, adota medidas mais drásticas e fecha as praias para espantar os turistas, que assim correm para o Interior, que se vê obrigada a fechar as cidades com barreiras sanitárias. Falta ação conjunta e coordenada. São Paulo tem 645 municípios e uma população maior do que países como Argentina e Bélgica. São 40 milhões de habitantes e nesta semana chegamos a 70 mil mortes pela Covid-19 e mais de 2 milhões de casos confirmados.

Não bastasse o descontrole na gestão da pandemia, em meio à crise econômica, Doria aumentou o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Pressionado, foi recuando e voltou atrás em alguns pontos desse aumento, mais uma decisão política mirando uma concorrência à presidência em 2022. Ainda não há nada oficial, porém todos os dias em suas coletivas de imprensa, Doria faz questão de alimentar o duelo BolsoXDoria – e pensar que há dois anos o ‘x’ não existia entre ambos. O cenário para a próxima eleição ainda não está sacramentado, mas as pesquisas são um ótimo termômetro para analisar os próximos passos dos governantes. Lembrando que com ou sem pandemia, o objetivo é sempre o mesmo: garantir mais 4 anos em um cargo público e não fazer uma boa gestão pública.