Governo de SP lança guia inédito com 16 aldeias abertas ao turismo

Publicação detalha rotas de etnoturismo e museus em diversas regiões do estado

Destinos oferecem experiências como trilhas guiadas, vivências culturais, apresentações de canto e dança.

Destinos oferecem experiências como trilhas guiadas, vivências culturais, apresentações de canto e dança. | Foto: Pablo Jacob/Governo do São Paulo

O Governo do Estado de São Paulo lançou o Guia Turístico das Aldeias Indígenas, mapeando 16 comunidades abertas à visitação pública. O documento inédito visa fortalecer o etnoturismo e a preservação cultural.

As rotas abrangem o litoral, o interior e a Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa coincide com as celebrações do Dia dos Povos Indígenas, oferecendo opções de lazer e educação patrimonial aos turistas.

Os destinos oferecem vivências como trilhas guiadas, apresentações de canto, dança e oficinas de artesanato. O guia também destaca a gastronomia típica e a comercialização de produtos feitos pelas comunidades locais.

Roteiros na Capital e Grande São Paulo

Na capital, a Aldeia Yvy Porã, na Terra Indígena Jaraguá, destaca-se pelo trabalho de apicultura com abelhas sagradas e educação ambiental. O espaço recebe visitantes interessados na cultura Guarani.

Em Guarulhos, duas reservas multiétnicas integram o guia: a Aldeia Filhos desta Terra – Espaço Kaimbé e a Reserva Indígena Multiétnica Filhos desta Terra, que reúne povos como Tupi-Guarani e Pankararu.

Essas comunidades focam na produção de biojoias, sabonetes medicinais e vestuário. As visitas permitem o contato direto com a resistência cultural urbana desses povos e suas formas de sustentabilidade econômica.

Litoral Norte e a preservação da Mata Atlântica

São Sebastião abriga a Terra Indígena Rio Silveira, com cerca de 200 anos de história. O local oferece trilhas para cachoeiras e piscinas naturais, além de viveiros de mudas nativas da Mata Atlântica.

Em Ubatuba, as aldeias Ywyty Guaçu (Renascer) e Boa Vista proporcionam imersão profunda na natureza. Os indígenas credenciados guiam grupos até o Pico do Corcovado e demonstram práticas de agrofloresta.

O artesanato em madeira e a cestaria são pilares nessas comunidades. A infraestrutura turística é desenhada para respeitar os ciclos naturais e a espiritualidade dos povos Tupi-Guarani e Guarani Mbya.

Expansão pelo Litoral Sul e Interior

O Litoral Sul conta com as aldeias Tabaçu Reko Ypy e Bananal, em Peruíbe. Ambas trabalham ativamente na preservação da língua ancestral e na manutenção de espaços sagrados para rituais tradicionais.

No interior paulista, cidades como Avaí, Arco-Íris e Itaporanga possuem comunidades consolidadas. A Aldeia Ekeruá e a Aldeia Kopenoti, em Avaí, são referências em agricultura familiar e turismo pedagógico.

As aldeias Nimuendajú e Índia Vanuíre oferecem oficinas de pintura corporal e pescaria. O contato com os povos Kaingang, Krenak e Terena revela a diversidade étnica presente no oeste do território paulista.

Equipamentos Culturais e Museologia

Além das aldeias, o guia inclui dois importantes museus. O Museu das Culturas Indígenas, na capital, é gerido com participação direta de lideranças e foca em arte contemporânea e cosmologias ancestrais.

Em Tupã, o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre é referência em museologia participativa. O acervo detalha as mitologias e línguas dos povos que habitam a região oeste do estado de São Paulo.

O guia completo, com contatos e localizações exatas, foi disponibilizado pela Secretaria de Turismo e Viagens. O governo espera que a visibilidade estimule a geração de renda sustentável para as famílias indígenas.